O Furacão Luísa

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Pense em um furacão que chega em sua vida, joga tudo pelo alto, o sacode de todas as maneiras possíveis e imagináveis, muda completamente seus conceitos e sua forma de viver e encarar o mundo.

Um ano depois que tudo aconteceu é que consigo sentar para escrever um pouco sobre a sua história. Ou melhor, sobre a nossa história.

Ainda me recordo do dia que eu a conheci… Os olhos negros esbugalhados, a pele coberta de brotoejas, o cabelo arrepiado e uma carinha de pânico. Acho com toda a sinceridade que a feição dela seria um reflexo da minha, apavorado que ainda estava diante do presente que havia ganho na vida. E o que iríamos fazer dali para frente? Não tinhamos nada, um berço, um carrinho, um colchão, nada.. Primeiro a conhecemos, depois iríamos ter que correr atrás de tudo.

Era dezembro de 2013 e até agora não sei como eu e Gisele chegamos ao abrigo de menores. No caminho entre o Fórum de Florianópolis e o lar que recolhe crianças órfãs pensei em tudo que deveria aprender fazer nos próximos dias, tudo que eu não tinha a menor idéia de como funcionaria. Também pensei em tudo o que deixaria de fazer e me assustava a idéia. Não, não me assustava… Me deixava em pânico. O bebê foi entregue à adoção tão logo chegou ao mundo. E foi entregue a nós com vinte e poucos dias. E agora? Como funciona? Como troco a fralda? Como vamos alimentar com leite em pó? Como vou saber se chora por fome ou dor? Como vou sobreviver a isso sem termos passado por pré-natal, cursos ou mesmo uma leitura qualquer sobre o tema maternidade/paternidade?

Uma assistente social já nos aguardava no saguão. Fomos levados à uma sala, onde ela conversou com a gente e, confesso, não me recordo quase nada do que disse. Depois comentou que iríamos ao que interessava.

Caminhamos por um corredor de uns dez, quinze metros, entramos à direita em uma sala com muitos brinquedos ao chão, onde crianças estavam sentadas em tatames e uma televisão passava um desenho qualquer. Passamos por esse espaço pequeno e ela mostrou um quarto em que seis berços estavam montados, se não me engano. Ela olhou para a Gisele – que já havia chorado tudo o que podia e não podia – e disparou:

“Vai lá e encontra a tua filha”…..

E foi assim que conhecemos um pequeno furacão chamado Luísa.

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Comentários

  1. Ana Carolina disse:

    Lindo texto…. Ela trouxe tudo que há de mais lindo em uma família, o amor a união, a alegria, e muitas outras pequenas grandes coisas !! E com tudo isso eu acabei ganhando de presente a honra de ser a “dinda” dessa pessoinha tão MARAVILHOSA !

    1. Fabricio disse:

      Valeu Dinda.. beijão

  2. Carmen disse:

    Ela chegou a esse mundo trazida por uma cegonha biológica, pois em algum lugar o pacto já estava acertado de que a Luísa era a filha de vocês. Lembro bem deste dia e me emocionei lendo teu texto, pois me fez voltar ao tempo e sentir aquela mesma emoção que senti quando vi que os pais seriam vocês, mais especificamente tu, que já era meu amigo do facebook. Vocês são merecedores de toda felicidades do mundo. A Luísa é uma menina de sorte, pois de forma dupla está sendo feliz desde o nascimento, pois está tendo a oportunidade de dar e receber o amor maior. Felicidades queridos e obrigada papai e mamãe por proporcionar isso à ela. Beijo grande no coração a essa família muito especial que aprendi a amar. 😀

    1. Fabricio disse:

      Oi Carmen… Fico emocionado mesmo cada vez que lembro…. Foi muita loucura aquele dia né?
      Grande beijo e obrigado por passar por aqui…

    2. Fabricio disse:

      Oi Marlise.. Você sempre acompanhando a história né?? Grande beijo e obrigado

  3. marlise groth disse:

    Eu me emociono com vocês todos os dias. Bjeluz

  4. oraida maria santos escandiussi disse:

    É meninos o amor supera e resolve tudo , mesmo de loge vivi esta emoção…E vivemos a cada dia…

  5. […] que ainda acho esse tempo longo mas, no final das contas acredito ser uma decisão acertada. Quando conheci um Furacão chamado Luísa ela tinha apenas 20 dias e por isso creio que alguns casos podem ser ainda mais […]