A adaptação na creche e seus enormes desafios

A adaptação na creche e seus desafios

Sempre que me perguntam o que foi ou o que é mais difícil fazer nesse tempo que cuido da Luísa, falo que o o período de adaptação da creche traz enormes desafios e é o que considero mais complicado, pelo menos para mim. Adaptação que na maioria das vezes não é só da criança, é dos pais também.

Para se ter uma ideia, já faz um tempo que não existe bom dia, oi, tudo bem ou nenhuma outra saudação cordial aqui em casa. A primeira pergunta é sempre a mesma, pouco depois das sete da manhã, não importa que dia seja, não importa se faça chuva ou se faça sol, se temos vento sul ou vento nordeste.

_ Papai, hoje tem creche?

Com a resposta positiva, começam as lamúrias.

_ Não quero ir para a creche hoje.

_ Não quero, papai. Quero ficar aqui em casa para sempre.

_ Estou com saudades da mamãe.

_ Por que eu tenho que ir para a creche todos os dias?

Creche. Ela foi um das grandes “barreiras” para mim, tinha uma grande aversão às mudanças e claro, receio e culpa em deixá-la com outras pessoas. Essa foi uma das épocas mais complicadas na nossa relação.

Luísa demorou para ir à creche. E isso não foi por uma opção ou por decisão pura e simplesmente pensada pela Gisele e por mim. A vida nos empurrou a isso, a pediatra orientou, nós obedecemos e como não tínhamos familiares por perto, nos adaptamos. E aí se passaram dois anos e meio.

Sempre li sobre os benefícios de manter o filho por perto nos primeiros anos e hoje recomendo: quem puder, quem tiver condições de estar próximo, não mande o filho ou filha para creche antes do primeiro ano. Tudo na vida tudo tem o seu tempo (embora sempre pensemos na nossa ignorância que quem manda no tempo somos nós).

Atualmente vemos muitos benefícios na escolinha: Luísa brinca com outras crianças de sua idade, o que é importante para o desenvolvimento de sua personalidade, de seus limites e até de sua autonomia. Vendo amigos maiores, ela decidiu abandonar as fraldas. Passou a comer mais. E claro, principal benefício para Luísa em meu entendimento: sua fala aumentou. Por mais que a gente estimule e se policia, eu e Gisele sempre completávamos frases para Luísa. Ela ficava nervosa porque não conseguia expressar o que queria e lá iámos nós, tratando de adivinhar. Ela, como filha de mineiro, devia pensar: “falar para quê se meu pai e minha mãe fazem isso por mim e descobrem o que eu quero?”.

Mas voltando ao assunto da creche, quando tudo enfim parecia estar às mil maravilhas, as férias foram antecipadas em duas semanas por causa do ciclone que atingiu Floripa. Em 2017, o início do ano letivo atrasou devido à greve dos servidores. Quando voltamos, mais de três meses depois, mais uma surpresa para ela: as professoras não eram as mesmas. Os coleguinhas, em grande parte, eram da mesma turma do ano passado mas, a troca das “profis”virou um motivo para não querer ir para a aula (como se precisasse de um motivo).

E lá vamos nós para mais uma adaptação. Esperamos ansiosos, meses e mais meses, para vermos aquele pequeno bebê começar a interagir, esboçar um sorriso, engatinhar, dar os primeiros passos, as primeiras sílabas e depois falar mamãe e papai. E aí parece que eles engoliram um rádio AM. Não param mais de falar.

_ Não quero a creche.

_ A “profi” nova é chata.

_ Papai,você fica lá também?

Percebi que a “readaptação” à creche e essa fase de argumentação mostram que Luísa está chegando a uma nova etapa. Nos últimos dias, ela tem ficado na creche sem chorar. E quando vou buscá-la vejo que está numa alegria só. Não que a “falação” e os pedidos para não ir não aconteçam pela manhã. Só que já faz uma semana que ela chega, corre, guarda sua mochila da Frozen, abraça as “profis” e os amigos e vai brincar, sem olhar para trás. Quando avisam que estou indo embora, corre e me dá um beijo:

_ Tchau papai…. Você vai ficar com saudade de mim?

Sempre sentirei saudades, Luísa, de todas as fases….

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