A gente tem fome do quê?

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Imagine a cena: você passa duas horas na cozinha preparando uma comida diferente e balanceada. Suja tudo que é panela, pia e fogão. Deixa o prato todo colorido e bonitinho. Faz um suco natural bem saudável. Aí, coloca a Luísa no cadeirão e ela te olha de rabo de olho, ranheta, joga a colher no chão e sequer experimenta o que você fez com tanto carinho.

Isso aconteceu várias e várias vezes tanto comigo quanto com a Gisele. O sentimento de frustração era gigante. Não gostar da comida ainda vai mas, nem experimentar é duro… Aí ela balançava a cabeça dizendo que não, apontava para outro lado e pedia um biscoito de polvilho: “Qué”…

Pronto. Era só isso que ela queria comer.

Comida não era o forte da Luísa até poucos dias. Li e reli posts, reportagens, dicas de pediatras e nutricionistas, fiz aviãozinho, vibrei a cada colherada, dançava na cozinha, fazia coisas diferentes, mas nada, nada e nada. A Gisele já chegou até a chorar depois de horas na cozinha em finais de semana para tentar agradar a pequena.

A preocupação era maior pois Luísa, que veio de uma gravidez “desconhecida”, sem nenhum tipo de cuidado, é muito pequenina e sempre ficou abaixo da linha na caderneta que levamos ao médico. Seu limite é engordar 300 gramas no mês e até hoje, com um ano e cinco meses, ela usa roupas de bebês de 9 a 12 meses.

Nas últimas semanas,  pegou uma virose. Pânico geral: o negócio ficou ainda mais feio. A alimentação, que já não era essas coisas, se resumia ao biscoito de polvilho e à mamadeira de leite. Um ou outro suco durante o dia e mais nada.  A pequena ficou mais de uma semana ruim, levamos à pediatra, tomou remédio, tomou vermífugo e um sorinho para evitar a desidratação.

A virose foi passando e milagrosamente Luísa descobriu que comer era muito bom. Há quase dez dias ela come de tudo: verduras, legumes, frutas e o que tiver na refeição, pede suco, uvas, acerolas, tangerina, queijos e etc… Não sei dizer o que aconteceu. O que importa é que nossa pequena anda se alimentando muito bem. Como nunca se alimentou desde o dia que chegou aqui em casa.

Vi várias dicas e duas minha chamaram a atenção: a primeira, transformar a refeição em algo divertido e não levar o stress para a mesa. Ou seja, não me aborrecer caso ela não queira experimentar isso ou aquilo. E a segunda é a que não existe comida exclusiva para a criança. Um prato saudável e balanceado vai fazer bem tanto para ela quanto para mim.

Adotei a prática de comer o mesmo que a Luísa: troquei as noites dos lanches “gourmet” e dos “X infarto” (aqueles em que a gordura do bacon e da calabresa ensopa o guardanapo de papel e corre pelas suas mãos), por uma alimentação com maior variedade de sabores, mais cor e, principalmente: passei a comer mais vezes ao dia. Abolimos por completo aqui em casa qualquer tempero artificial. Eu perdi quatro quilos e ganhei mais disposição. Não que eu não goste de um bom churrasco, lanche ou algo gordo. Eu simplesmente passei a usar isso como uma exceção e não como uma regra.

Acho que Luísa está aprendendo que comer e experimentar as coisas é muito legal. E tanto eu quanto a Gisele estamos aprendendo a não forçar a barra e não transformar o tempo que ficamos na cozinha em uma obrigação. A parte chata continua sendo a de lavar a louça… Faz parte.

A gourmetização está na moda…E a gente vai se adaptando. O cardápio desta noite? Ainda não sei.

Sei apenas que vai ser colorido, divertido.. e sei que vou rir muito com minha pequena recém comilona…

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Comentários

  1. oraida maria santos escandiussi disse:

    Parabéns ..parem e pensem como estas experiências, que são simples, mas importantes, enriquecem vocês e deixam nossa menina Luísa, cada vez mais linda e feliz!

  2. pay4you disse:

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