A lenda do fraldário em banheiro masculino

troca

 

Você acaba de sair, luta para achar uma vaga e estacionar, retira todos os badulaques indispensáveis para a sobrevivência do papai e do bebê e, pouco antes de chegar a um compromisso, percebe que é hora de trocar a fralda da pequena.

Quem nunca passou por isso? Ter que colocar a criança no banco de trás, no porta malas, em um banco de praça ou então trocar a fralda em pé mesmo.  A gente só percebe como e difícil quando passa a conviver com isso.

Aí eu pergunto: como achar um fraldário no centro de cidade? Eu complico ainda mais a pergunta: como um pai pode arrumar um local para trocar a fralda da filha? Exceções feitas a grandes redes de supermercado ou então a shopping centers, não consigo encontrar fraldários que os papais possam utilizar.

Outro dia desses entrei em uma galeria comercial – onde existia lojas de roupas infantis – e a minha surpresa: não havia nenhum fraldário. Nem no banheiro feminino e muito menos um que eu pudesse usar.  Precisei improvisar a troca em duas cadeiras quebradas que estavam na entrada do banheiro feminino. A funcionária de uma das lojas tratou de fazer a “segurança” do local para que nenhuma mulher entrasse e topasse comigo ali dentro. A Luísa achou uma baita diversão.

O ator Ashton Kutcher chegou a apresentar uma petição pedindo que redes de lojas norte-americanas criassem os fraldários unissex. Aqui a realidade é bem parecida e a discriminação de gênero existe até em projetos de lei que teriam como objetivo ajudar os papais e as mamães em suas jornadas contra as fraldas sujas.

A Câmara de São Paulo analisa um projeto do vereador Claudinho de Souza (PSDB) para que o comércio em geral, incluindo cafeterias e restaurante, criem fraldários. Falo em discriminação de gênero pois a proposta é a de que as instalações sejam adaptadas em banheiros femininos. A justificativa do projeto ainda deixa claro que a troca de fraldas seria uma função exclusiva das mamães.

Não é só discriminatória como é machista.

Em Santa Catarina mais um sinal de que os papais não têm vez. Existe uma lei do deputado Gelson Merísio, atual presidente da Assembléia Legislativa, que determina a instalação de fraldários e espaço para amamentação em todas as rodoviárias do estado.

Foi então que eu e a Luísa resolvemos testar se a lei 15.852, promulgada em 2012 pelo governo catarinense, estava sendo cumprida. Fomos ao Terminal Rita Maria, rodoviária da nossa capital Florianópolis só para trocar sua fralda. Procurei primeiro o balcão de informações turísticas e a atendente disse desconhecer qualquer espaço com essa finalidade. Depois solicitaram que eu passasse na administração da rodoviária. Ali fiquei sabendo que sim, que existia um fraldário (sic) no banheiro feminino ao lado do setor de desembarque.

Conversei com a faxineira do WC, expliquei todo o meu drama, que era um papai de primeira viagem e que precisava trocar a fralda do bebê. Ela permitiu que eu entrasse e me ajudou a usar o “fraldário” da rodoviária.

A lei até que seria interessante se fosse cumprida. Mas cá entre nós, “espaço exclusivo para amamentação e troca de fraldas” não é simplesmente um balcão retrátil montado na parede do banheiro feminino (é só ver a foto abaixo). A funcionária teve até o cuidado de passar um “paninho” ali antes, mas não é isso que a legislação determinou.

Era um espaço exclusivo e não uma gambiarra no estilo “severino quebra galho”. A lei ainda deu o prazo de junho de 2013 para que os administradores das rodoviárias montassem tudo. Vai ver não deu tempo.

Pesquisei e tenho visto que pipocam leis aqui e ali para implantação de fraldários. Ganharia quem implantasse um espaço público para troca de fraldas, sem impor que ele seja montado só em banheiros femininos. Poderiam ser balcões, mas desde que fossem colocados nos dois banheiros. E o que estou pedindo não é nada absurdo: em Cingapura, o aeroporto internacional conta com fraldário em ambos os banheiros.

É isso… Esse é o princípio.. O exemplo de um pequeno país  nos confins da Ásia. Não está impondo que a troca deve ser realizada só pelas mamães.

Justo e democrático. Sem demagogia e machismo.

 

fraldario rodoviaria

Rodoviária de Florianópolis: estrutura até existe, mas não chega nem perto do que a lei estadual determina.

You may also like...