A primeira emergência a gente nunca esquece

 

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E o cachorrinho fedorento sempre acompanhando a Luísa….

 

_ A febre está muito alta e primeiro precisamos controlá-la para fazer uma avaliação. Teremos que fazer banho de compressas para só então saber o que está acontecendo.

Em seguida, sacou um pacote de gaze e me entregou.

_ O senhor umedeça a gaze no banheiro para molhar a testa e as axilas do bebê. Pode se sentar ali no saguão para fazer isso.

Acho que andava assistindo a muitos episódios de Greys Anatomy e tomei um choque de realidade daqueles. Nada de mega equipes e pessoas sorridentes correndo ao redor de sua fllha de um ano e meio para tentar reduzir sua febre e estabilizar seu quadro. Medicaram a Luísa com paracetamol e me entregaram um pacote de gaze. Ficamos eu e Gisele no saguão da emergência do Hospital Infantil dando um banho de compressas na Luísa para retornar à consulta.

A verdade era essa: nada parecido com os seriados de televisão. Aliás, na televisão do hospital era exibido o programa do Gugu. Gritos de crianças que estavam com dor ou que se recusavam a fazer um exame completavam o cenário.

Foi nossa primeira experiência em passar a madrugada na emergência de um hospital infantil. Horrível. O primeiro susto a gente nunca esquece. O máximo que havia acontecido com a pequena até aqui eram as reações às vacinas, uma gripe aqui, outra bronquiolite ali. Mas nada que a derrubasse tanto.

Luísa passou o dia normalmente, brincou muito e dez minutos após se render ao sono, já no final da tarde, acordou aos prantos. Buscamos a orientação da pediatra e tudo parecia bem. Foram quase duas horas de choro e pedido de colo até que o primeiro sintoma apareceu: febre. Depois disso, tremedeira e muita tremedeira. Aí resolvemos correr para a emergência.

Ao chegar ao hospital, o bebê já estava com 40,2 graus. E subindo.

Consegui manter a calma no caminho e nos atendimentos, mas confesso que o começo foi assustador. Sua filha ali toda mole, já sem mais força alguma nem para chorar, o corpo tremendo e a febre já fazendo com que ela tenha uns espasmos horríveis. Olho para a lado e a mamãe com os olhos cheios d’água ao ponto de sofrer um piripaque nervoso. Pedi que Gisele se acalmasse.

A enfermeira medindo a temperatura da Luísa não respondia às minhas perguntas sobre o que estava acontecendo e mantinha uma conversa com uma outra funcionária do hospital.

_ Mas aquele restaurante não é bom. É muito caro e a comida não é lá essas coisas.

As duas discorriam sobre a gastronomia e conversavam como se não houvesse mais ninguém na sala. O que é pior, faziam isso como se a minha filha não estivesse ali ardendo em febre, se desmantelando na minha frente. Naquele momento, entendi o por quê dos cartazes que colocam avisando para não desacatarmos os servidores públicos.  Ainda ouvi as duas falando sobre carne grelhada antes que uma delas chamasse a atenção para a febre da Luísa e decidisse pela medicação.  Nesse momento, senti que ela havia se preocupado e o que o quadro merecia ser analisado mais de perto. O atendimento mudou.

O começo foi assustador, mas ainda bem que me segurei… Não achamos ruim em realizar o procedimento com as gazes ali na frente. Apenas estranhamos. Depois vi que o bebê recebeu toda a atenção da equipe do hospital, foi bem atendido e medicado.

É desesperador para um pai ou mãe chegar a uma unidade de saúde com uma criança passando mal. Por mais que a gente mantenha o auto controle – e olha que eu mantive, pois a Gisele estava muito assustada – a situação é muito crítica. Percebi que o que é urgente para você pode não ser urgente para aqueles que estão atendendo. E esse ponto acaba sendo muito delicado.

A urgência era nossa, apavorados e inconformados que estávamos em ver Luísa naquele estado. Ficamos quatro horas no hospital, passamos por duas consultas, três procedimentos de inalação, várias “olhadelas” na temperatura e o banho de compressas. Eu, mamãe e o inseparável cachorrinho fedorento sempre ao lado do bebê. Ao fim de todo o atendimento, uma das funcionárias que conversava sobre gastronomia ainda veio me perguntar se estava tudo bem com o bebê.

Naquela altura eu já estava relaxado e minha fome era tamanha que eu toparia uma conversa sobre carnes.

Resumindo: a pequena teve uma infecção severa no ouvido e vai tomar antibióticos por algum tempo. O que nos assustou foi a febre e a tremedeira, mas felizmente tudo não passou de um grande susto. Mesmo assim, espero nunca mais passar por uma situação dessas de novo.

Crianças deveriam ser proibidas de adoecer. Isso devia ser lei.

Nossa primeira experiência na emergência terminou depois das três da madrugada. Ainda procuramos farmácia, fomos para casa, demos mais um banho e medicação. Já passava das quatro quando finalmente deitamos. 

Antes das 8 horas, Luísa já estava em pé no berço. Debilitada, manhosa, fraquinha e ainda com aquela carinha de dor.

Mas estava de pé. E sorrindo.

 

Mamãe fotografou e deu banho de compressas na Luísa no saguão do hospital.

Mamãe fotografou e deu banho de compressas na Luísa no saguão do hospital.

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Comentários

  1. […] sofrendo daquele jeito. O diagnóstico foi otite e felizmente não ocorreu nenhum outro episódio (contei toda a história aqui). Recebi um material dos amigos do Alô Bebê e por isso aqui repasso, pois com a chegada de […]