A primeira entrevista coletiva

 

 

Foto: ©2014_Gabriel_Heusi

Foto: ©2014_Gabriel_Heusi

 

Luísa já passava dos nove meses quando precisei ir à uma entrevista coletiva e, justamente naquele dia, não tinha onde deixá-la.

Até então, estava conciliando a atenção ao bebê com o trabalho sem maiores problemas. Só que desta vez, precisava fazer uma reportagem e a única opção era levá-la. Era o teste de fogo: dar conta ao mesmo tempo de cuidar de uma entrevista e prestar atenção na pequena.

Ops, ou melhor, de prestar atenção na entrevista e cuidar da pequena.

“Estamos prontos”, pensei. Sou jornalista on line. Faço textos, fotos, captação de imagens, locução e edito os vídeos. Tudo ao mesmo tempo. Cuidar de uma criança no carrinho seria fichinha.

E lá fomos nós até um hotel na praia de Jurerê Internacional para uma coletiva do tri campeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten, que estava lançando um livro sobre sua vida.

Nada melhor do que começar em um evento do Guga. Tudo tranquilo, organizado, conheço todo o staff dele e a grande maioria dos jornalistas que participam dessas entrevistas. Muitas vezes Kuerten ainda leva os filhos para as conversas com jornalistas. Então, estamos em casa. Coloquei a Luísa em seu carrinho e fiquei ali na porta da sala de imprensa com ela. Qualquer coisa, estava fácil para sair do local e não atrapalhar ninguém.

Assim que a entrevista começou, deixei a Luísa no cantinho e me movimentei para fazer fotografias e alguns takes de vídeo. A pequena já demonstrava estar impaciente por permanecer tanto tempo no carrinho.

Enquanto faço algumas fotos ouço o tom da “reclamação” do bebê ficar cada vez mais elevado. E mais ainda. Antes que eu pudesse chegar no carrinho, a dona Alice Kuerten olhou para mim e disse:

_ Deixa ela no chão. Vai se divertir muito mais.

O que é a voz da experiência. Foi uma alegria só. Eu precisava de um depoimento em vídeo, por isso era necessário esperar o final da entrevista. Olho para trás e vejo que Luísa já estava engatinhando no carpete da sala e sorrindo para os repórteres.  A mãe de Guga e uma amiga se divertiam e ela ainda me perguntou se poderia dar um biscoito para a Luísa.

O biscoito era daqueles cheio de coberturas coloridas, que normalmente os pais esperam que os filhos saibam que existe somente depois dos três anos, mas que as vovós insistem em dar escondido. Concordei e Luísa se esbaldou com a guloseima…

Foi a primeira “coletiva” da Luísa. E o primeiro biscoito doce.

Depois dessa entrevista, vieram outras e mais outras – tanto a trabalho quanto, mais recentemente, na condição de “entrevistados”. A mais complicada foi uma que participamos na sede da Polícia Federal e que um delegado se ofereceu –  e ficou – com Luísa no colo enquanto eu fotografava e coletava algumas imagens em vídeo.

Agora está bem mais difícil ir em entrevistas com a Luísa, para não dizer impossível. Ela já não quer saber muito de ficar quietinha no carrinho, grita, ri alto e corre por todos os lados. Não conseguiria mais conciliar com o trabalho. Posso dizer que apenas quando crescer um pouco mais devo voltar a participar desse tipo de evento com ela.  E isso já me dá uma ponta de saudade….

Não das entrevistas coletivas, claro, mas da minha companheirinha.

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