Acabou o temível “terrible two”? Então se prepare para o que vem depois

Elsa Frozen Guerra das Bonecas

 

Vejo papais e mamães reclamando das peripécias dos filhos com um ano de idade e chego a ter saudade dessa época. Meu maior problema com a Luísa era porque ela não queria dormir a tarde. Ou então, por que fugia engatinhando da sala para o escritório, do escritório para a cozinha e vice-versa. O grande medo era se aproximar da escada ou então engolir um brinquedo.

Ah, eu era feliz e não sabia.

Aí chegaram os dois anos. Os “terrible two” como tanto falam e que inclusive virou postagem aqui. Aquele bebê cute-cute vira um “demônio da Tasmânia”, grita, esperneia, se joga no chão, exige as roupas vermelhas, se recusa a comer, a dormir e pronto. Isso é assustador?

Ah, eu era feliz e não sabia.

Chegam os três anos (veja valiosas dicas sobre essa idade ao final da matéria) . Toda a esperança de que a situação iria se acalmar e que tudo melhoraria escorre por água abaixo. Os “terríveis dois anos” não acabam nunca, nunca mais. A criança não foge mais engatinhando, saí correndo em disparada pela casa. Ela não se aproxima da escada; desce os degraus a toda, sem escorar a mão na parede. Corre na rua com os filhos dos vizinhos. Os “ex-cute cutes” agora não querem que o arroz se misture ao brócolis ou ao feijão, passaram a falar “eca” para o filé de frango ou para o suco de laranja com cenoura que tanto tomaram. Não comem nada. Não querem mais dormir de tarde – e muitas vezes nem de noite.

A Galinha Pintadinha virou um porre. O Patati e Patatá viraram bobos. Hi-5 e Palavra Cantada são coisas do passado. As brincadeiras de antes agora são chatas. A cada beijo que dou na Luísa ela me manda fazer a barba. Muitas vezes finge não escutar nem a mim e nem a mamãe.

As princesas ganharam espaço, a Moana virou a queridinha da vez, fadas e gnomos do Ben e Holly conquistaram seu coração. A comida do papai é “chata”. A de creche passou a ser legal. A creche, aliás, continua sendo um obstáculo.

Não há mais preferência por esta ou aquela roupa vermelha. A cor continua sendo a preferida, mas a escolha do vestuário (da cabeça aos pés) é fruto de negociação. Muitas vezes Luísa apela e usa como argumento o choro ou a birra. Lavar e pentear o cabelo são ações que acordam toda a vizinhança. Sair de casa nos terríveis dois anos era um evento. Era preciso juntar os apetrechos na mochila, nos arrumarmos, montar um check list com roupa reserva, lanchinho e etc. Levava pelo menos uma hora. Hoje, podemos contar uma hora e meia para conseguir tirar o carro da garagem.

A paternidade/maternidade não é nada fácil. Sempre digo que trocar fraldas e dar banho e comida são coisas muito fáceis perto de tudo o que vem em seguida. Educar é o maior desafio. E educar não é “terceirizar” o trabalho para professores e cuidadores das escolinhas. Não é ligar a televisão ou o tablet e exigir que o filho fique quieto enquanto estamos dando uma bisbilhotada nas redes sociais. Não é encher a criança de atividades extra-curriculares para que ela chegue em casa dormindo e no outro dia comece tudo novamente.

Educar é estar por perto. É trocar informações. É participar. É brincar de ser dentista, de ser a professora da creche, de ser “doutola”, mesmo quando o cansaço está saltando aos olhos. Vejo a Gisele, por exemplo, fazer das tripas coração e quase se arrastar para conseguir brincar por uma horinha com Luísa. No dia seguinte ouço Luísa dizer: “Estou com saudades da mamãe Pig”.

É cansativo? Demais. Muitas vezes queremos sair correndo e ficar um pouco sozinhos, sem barulho nenhum. Agora parece que a criança requer muito mais atenção do que antes. Ela interage, conversa, conta as coisas, retruca, dá sua opinião. Claro… ela é uma pessoa e não um vegetal. A presença nossa é muito mais exigida. É bem mais desgastante do que o início.

Ao mesmo tempo, vejo que ganhei uma ajudante para cuidar da horta, para colocar o lixo para fora, lavar louça, para colher acerolas ou consertar alguma coisa. Damos risadas. Aproveitamos um dia na rua e passeamos aqui e ali. Escuto um “Obrigada. Adorei isso, pai”.

Não vou esperar Luísa crescer para sentir saudades dessa fase. Vou aproveitar. Posso estar cansado, preocupado, extenuado, mas estou e estarei por perto. Não vou dizer que eu era feliz e não sabia.

Eu digo “sou feliz e sei disso”.

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Quer saber um pouco mais sobre os três anos, veja essas dicas. 

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