Adeus ao chiqueirinho….

 

Sonecas no bercinho...

Acabaram as sonecas no chiqueirinho….

 

Mamãe perguntou se poderia guardar o “chiqueirinho” que estava no meio da sala.

Olhei para Luísa para ver qual seria sua reação. Por meses e meses foi ali que ela tirou suas sonecas do meio da tarde, foi ali que adormecia antes que eu a levasse para nosso quarto no meio da noite. Foi naquele berço que aprendeu a ficar em pé sozinha e onde arriscou seus primeiros passos, se soltando e se jogando de uma extremidade à outra.

Quando dava os primeiros sinais de cansaço, Luísa se pendurava do lado de fora e pedia para ir ao chiqueirinho. De uns dias para cá, passou a recusar o local e dorme no sofá ou então no colchonete espalhado sobre os tatames.

Perto de completar dois anos de idade, a pequena já deu os primeiros indícios de que está se transformando em uma criança.  A gente é que não percebe. E o primeiro “tapa na cara” ocorreu há poucos dias quando Gisele e eu levamos Luísa ao dentista.

_ É hora de acabar com essa mamadeira e nem pensar sobre usar chupeta após os dois anos.

Nunca fui fã do bico e vez ou outra “sumia” com ele de vista para que Luísa não usasse. Mas, a mamadeira? Como assim? Ela é um bebê… e os bebês mamam….

A dentista explicou sobre problemas na formação e posição dos dentes com o uso de mamadeiras e chupeta após essa idade e sobre a tal “infantilização”. A fase oral, onde a satisfação é centrada principalmente pela sucção, dura até os dois anos. Após isso, o que restaria seria uma teimosia dos pais em manter as crianças com hábitos relacionados a bebês.

Lógico que não chegamos em casa e jogamos fora todos os apetrechos do bebê, mas passamos a incentivar ainda mais o uso de copos.

Papais e mamães normalmente se assustam diante das novas fases ou mudanças da vida. Ou  demoram a enxergar o que está diante dos olhos. E comigo não foi diferente. Luísa já não anda por baixo da mesa da cozinha: consegue pegar objetos que estão em cima ou então na pia. Também já encosta os pés no chão quando anda de velotrol, demostra preferências por sapato x ou y, essa fruta ou aquela ou até rejeição a determinados desenhos animados.

E o papai não quer perceber nada…

A recusa em dormir no berço montado na sala já vinha ocorrendo há alguns dias. Mas só aí fomos notando do que realmente se tratava.

Menina de pouquíssimas palavras, mas já com muita atitude, a pequena mostrou de forma natural sua nova condição. Ela mesmo pede o cachorrinho, o companheiro fedorento de todas as horas, sobe por conta própria no sofá e ali fica.

Como assim? Luísa é um bebê. E um bebê dorme no berço. Usa chupeta e toma leite na mamadeira. Por falar nisso, faz muito tempo que ela não toma mais leite. Hora nenhuma.

Olhei para o berço e vi como ele facilitava a vida. A MINHA VIDA. Podia lavar louça tranquilamente, tomar meu café no jardim ou ir ao escritório trabalhar sem risco algum. Podia até tirar um cochilo, pois sabia que quando Luísa acordasse, iria me chamar. Sem o chiqueirinho, ela se levanta e vai à nossa procura. Ou vai até a geladeira, buscar um suco ou uma fruta.

O chiqueirinho hoje a limita. “Tem um mundo aí fora para explorar e vou ficar aqui nesse berço”, ela deve pensar…

Me emocionou a reação da pequena após a pergunta da mamãe sobre o berço. Luísa olhou carinhosamente para ele, acenou com um tchau e ainda disparou um beijo, como se agradecesse aos meses que dormiu e brincou ali. Não deixou margem para dúvidas: estava decretada a aposentadoria do chiqueirinho.

Os olhos da Gisele cheios d´água diante da “despedida” deixaram mais do que claro que estamos diante do fim de uma fase. Luísa está deixando de ser um bebê.

You may also like...