Adoção: a angústia da espera….

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Ultimamente algumas pessoas tem me perguntado no blog sobre como foi a espera na fila de adoção. Me perguntam como domar a ansiedade, o que fazer para aliviar o estresse e até me pedem dicas para agilizar o processo perante a Justiça.

A resposta é sempre a mesma: não fiz nada. Não existe fórmula secreta. Não há o que fazer a não ser preencher a ficha, conversar com as assistentes e esperar.

Hoje penso que talvez tenha sido esse o primeiro ensinamento que a Luísa me trouxe nestes quase dois anos de convivência: saber esperar e entender que as coisas acontecem em seu tempo. A gente acha que está no comando, mas não, não estamos. E sempre teimamos.

Como a Gisele já contou por aqui, a gestação da Luísa durou dois anos e meio. Não foi fácil e confesso que foi uma tarefa hercúlea “esquecer” do assunto. Quantas e quantas vezes olhei para o número do processo de adoção pendurado no quadro negro e resisti à tentação de consultar o seu andamento na internet.

Ironia do destino. Justo eu, que trabalho com jornalismo on line, com o imediato, o aqui e o agora, precisei esperar e esperar e esperar.

Nas conversas que tenho participado com pessoas que estão na espera pela habilitação, vi que muitos não conseguem esse desligamento. Já tem o nome da criança na cabeça e um quarto todo montado. Confesso que isso me assusta: não conseguiria olhar para um berço montado aqui em casa, sem nenhum bebê, por dois anos e meio.

A questão do nome acho ainda mais complicada: imagine se eu tivesse mentalizado por meses a fio um filho chamado João ou uma menina chamada Ana. Tudo pronto, até mesmo os enfeites personalizados.  Estaria fechando as portas do meu coração para que uma Luísa entrasse em nossas vidas? Ou mudaria o nome e pronto?

Sem nenhum tipo de julgamento. Cada um sofre e se angustia à sua maneira. A nossa escolha foi não fazer planos mais detalhados e abrir ao máximo o leque de opções para chegada de uma criança. Em determinado momento sequer conversávamos sobre o assunto. Gisele chegou a pensar que eu não quisesse mais, ou então que eu não estivesse mais animado com a adoção. Como bom mineiro, sou desconfiado… E parei de pensar.

Quando paramos de sofrer e martelar o assunto, passamos a decidir algumas prioridades em nossas vidas. Menos de uma semana antes de sermos chamados no Fórum, cheguei a comentar que o ideal seria que a adoção ocorresse depois que quitássemos totalmente nossa casa – o que só ocorreria dali a seis meses.

E aí o destino tratou de dar suas caras e mostrar mais uma vez quem é que manda: quis ele que um bebê de pouco mais de vinte dias aparecesse em nossas vidas. Era a Luísa.

Estou contando tudo isso para chegar justamente em um ponto: minha filha me trouxe, como seu primeiro grande ensinamento, a mensagem de que não tenho o controle total sobre as coisas.

Está escancarado em minha frente e muitas vezes não percebo.

Sofremos com ansiedade, angústia, tensão, várias sensações pipocando ao mesmo tempo e aquela impressão de que o estômago vai explodir. Lutamos para conseguir alguma coisa, desejamos profundamente e praticamente despejamos todas as nossas forças e energias nesse “querer”.

A gente faz a nossa parte, mas demora para dar espaço para que o destino faça a dele de seu jeito, ao seu tempo.

Foi assim que a Luísa ensinou. Foi assim que encontramos nosso pote de ouro no final do arco-íris.

Só que para o arco-íris aparecer lindo e formoso, é preciso de um pouco de chuva.

 

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