Adoção: O dia que eu nasci

O dia que eu nasci

O dia que eu nasci.

O dia em que eu nasci era como outro qualquer. Era uma terça-feira.

O meu pai tinha ido cortar cabelo. Minha mãe encontrou com ele lá.

Depois eles almoçaram e foram conversar com uma moça. E ficaram sabendo de mim.

Aí eu nasci.

Minha mãe chorou. Mas não chorou porque tinha caído ou se machucado. Ela chorou de alegria.

Meu pai ficou com medo. Até hoje não sei do quê.

Não nasci da barriga da mamãe. Eu fiquei na barriga de uma outra moça por um tempo e depois fui para um lugar cheio de crianças. Só aí eu nasci e cheguei para meus pais. Eles falam que eu sou filha do coração e que me amam muito. Eu sempre soube que sou amada e que sou a filha deles. Nasci fruto de um processo de adoção de crianças.

O meu pai ficou com medo um tempo. Mas aí contou para o vovô e a vovó e para todos os meus titios que eu havia nascido.

Todo mundo sorria.

Minha mãe ainda estava chorando. Aí minha avó e minha bisavó, que moram longe, vieram me ver aqui em casa.

Muitos amigos da mamãe e do papai levaram presentes para mim. Os vizinhos vieram me conhecer.

Mamãe inventou uma música para me ninar. Papai perdeu o medo e passou a cuidar de mim. Nasceram dentinhos na minha boquinha. Meu cabelo caiu, cresceu de novo e depois ficou cacheado. Aprendi a engatinhar. A andar. A correr. Agora sei até andar de bicicleta, mas ainda não sei sem as rodinhas.

Aprendi a falar e a cantar. E não parei mais.  Ás vezes falam que eu engoli um rádio.

Gosto de correr no parquinho. Na rua. Gosto de brincar com meus amigos. Tenho dois amigos que também não nasceram da barriga da mãe deles. Eles ficaram em uma outra barriga e aí vieram para a mamãe e o papai deles.

Não me lembro muito porque eu era um bebezinho. Hoje sou uma criança e gosto de saber como foi que eu nasci. Papai e mamãe sempre me contam a história da nossa família.

Eles falam que foi o dia mais feliz da vida deles.

Era uma terça-feira. Foi o dia que eu nasci.

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