Birra: criar limites e educar ou… sair correndo de medo?

Não recordo, em toda a minha infância e adolescência, de ver meu pai e minha mãe gritando um com outro e muito menos comigo e meus irmãos. Lembro de momentos de brabeza ou rabugice de um ou outro, de umas broncas merecidas, mas nada que tenha me marcado como uma grande e horrorosa briga em casa. Isso sempre me deixou muito feliz e acabei traçando como meta para educar uma filha: o que quero trazer para Luísa é justamente uma infância sem gritos, ofensas ou ameaças. Mesmo na hora de uma grande birra.

birra infantil como lidar

Só que um dia desses, em meio a muita correria aqui e compromissos dali, perdi minha paciência. Não me lembro ao certo o motivo que deu início à birra, se era ela que queria um tempo a mais para assistir desenhos, se era por causa da roupa, dos brinquedos, ou se não queria guardar algo. Sei que perdi a linha. Elevei o tom. Explodi.

E depois veio a culpa. Um sentimento ruim. A vergonha. Vergonha porque a criança de quatro anos de idade é ela, e não eu.

Encontrei esse texto que fala sobre limites e como tratamos nossos filhos em uma das publicações que acompanho. E compartilho com vocês sempre na expectativa que acertemos na criação e educação dos nossos pequenos. A reportagem foi publicada na Fatherly. É só clicar para ler o texto na íntegra.

“Na hora da birra, você não pode mudar quem seu filho é”

Um pais de crianças com personalidade forte têm pela frente enormes desafios quando se trata de disciplina. Solicitações simples ou repreensões rapidamente se transformam em lutas de poder. Nestes momentos, pode parecer que seu filho é “impunível”, e isso pode muito bem ser o caso. Mas quando se trata de disciplina – o sistema que os pais usam para transferir valores fundamentais para a criança – a punição não é o objetivo principal.

“Você tem uma criança que não escuta, que não gosta de limites, que é combativo sobre esses limites e que reconhece que você não tem controle sobre sua personalidade. Entretanto, você tem controle sobre como eles aprendem”, dia a educadora de pais (isso mesmo) Sharon Silver, fundadora da Proactive Parenting e autora do livro Stop Reacting and Start Responding. “Você não pode mudar quem é seu filho, mas pode fazer ajustes para que eles tenham a oportunidade de aprender sobre quem eles são e ser a melhor versão deles dentro dos limites que você definiu”,

Birra: criar limites

Ahh, se fosse tão fácil…. Aqui sofremos com os chamados “terrible two”, a tal primeira adolescência. O que veio depois é muito mais desafiador, como contei neste post.  E hoje, ainda acho que Luísa, depois que completou quatro anos, ficou ainda mais digamos, “intensa” no momento da birra. E o que fazer?

De acordo com Silver, o primeiro ajuste é ser muito claro que você não está desistindo de sua autoridade. “Você está desenhando uma linha, independentemente da emoção, não pode ser cruzada”, diz ela. “Quando seu filho lança uma birra, se irrita, grita ou age de forma agressiva, mostre-lhes onde a linha está. Seja o adulto e tome o controle da ação na situação. Diga: “Eu vejo você realmente com raiva. Sua raiva é um ou dez na escala? Como você pode se sentir melhor? Você precisa respirar ou dar uma volta? Você quer falar sobre isso?’ Esta abordagem habilita a criança e permite que elas se sintam ouvidas. “Quanto mais uma criança se sente ouvida, mais eles estarão dispostos a ouvir.

O próximo passo é estabelecer um chamado guarda-chuva de regras (nunca gostei desse termo, sempre falar de “combinação”). “Como família, você precisa se sentar – não durante ou logo após uma birra ou conflito – e traçar regras”, afirma Sharon. “Três regras simples que atuam como uma barra de navegação e estabelecem limites para o comportamento que se aplica a tudo: amizades, escola, vida familiar e comportamento público”.

Essas três regras devem ser: seja seguro, seja gentil e seja respeitoso.

É preciso praticar

Há uma advertência: para que essas regras sejam ferramentas efetivas de aprendizado para seu filho, você também deve praticá-las. Nós tratamos os outros da maneira que somos tratados, de modo que tratá-los da forma como você quer ser tratado acaba com a perpetuação do desrespeito e do conflito. “Eu gosto da ideia de centralizar tudo em torno de ser seguro, gentil e respeitoso porque se aplica a todos”, explica Silver na publicação da Fatherly. “Se uma criança está gritando com você” eu não estou ouvindo “, ou” eu odeio você “, e você interage no mesmo tom, está imediatamente em uma luta de poder. Não interjeite. Não grite. Não agiremos agressivamente em relação ao um comportamento agressivo. Isso cria inimigos em conflito, e você não é o inimigo do seu filho.

É preciso praticar mais

“Como um adulto que aprendeu segurança, bondade e respeito, é sua responsabilidade entrar no olho da tempestade e sair do outro lado com seu filho”, diz Silver. “Tranquilize-os. Quando você não pode se controlar e você é a autoridade na vida do seu filho, então, como você pode esperar que eles se controlem?”.

É preciso praticar (muito) mais

A chave nesses momentos aquecidos é tratar seu filho como um indivíduo – uma pessoa com personalidade em desenvolvimento que você está constantemente impactando, mas não controlada. Não é forçá-los a comer seus vegetais, compartilhar seus brinquedos, cumprimentar um amigo seu e fazer seus deveres de casa. Trata-se de ensinar-lhes que eles merecem ter o melhor para si, e escolher comer seus vegetais e compartilhar seus brinquedos permite que eles tenham o melhor para si. Tenha em mente o seu trabalho aqui: criar e ensinar um filho e encorajá-los a desenvolver-se em pessoas boas que são capazes de viver uma boa vida”.

É preciso praticar (muito) mais ainda

Achei interessante o texto e por isso compartilhei alguns trechos com vocês acima. Tenho tentado aplicar muitas dessas dicas aqui. Na minha opinião, devemos seguir cinco princípios: convívio, amor, aprendizado, carinho e, acima de tudo, respeito. Só que filho não vem com manual de instruções e muito menos com tutorial no Youtube para agirmos assim ou assado em situações pré-determinadas. Não há regra ou técnica determinada por mim ou por especialistas que irão servir como manual para ser seguido à risca na hora de uma birra ou depois dela.

E se nada der certo…

Uma noite dessas, Luisa esperneava nem sei por que motivo. Conversamos, não adiantou, tentei isso, mamãe tentou aquilo e… nada. Resmungou, falou alto, gritou… Nada resolvia. Foi uma birra daquelas…Nenhuma tática, livro, método, não havia nada que resolvesse. Luísa buscava o conflito. Me senti um fracassado.

Percebi que ela estava com sono, muito sono. Mas não se rendia.

Então adotei uma tática simples: fui eu dormir. Fim da birra.

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