Adoção: contar ou não contar?

 

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FILHO: _ É verdade essa história? Eu sou adotado?

MÃE:  _ Não meu filho. Isso é mentira.

FILHO: _ O fulano me contou. Ele achou que eu sabia que era adotado e falou tudo. Por isso, não me chame de filho nunca mais.

MÃE (AOS PRANTOS): _O Fulano não podia ter feito isso. Sofro com essa história há décadas. Sim, você é adotado, meu filho.

 

Os dois se olham. Bocas abertas e cara de surpresa. Imagem congela mostrando mãe e filho com ares de desespero.

SOBE O SOM:  Música típica de suspense.

Nesse momento aparecem os créditos, começa o Zorra Total e o desfecho da conversa fica para o capítulo da próxima segunda-feira.  Isso pode parecer dramalhão das novelas de televisão mas acredite, acontece.

Recebi alguns emails de leitores questionando sobre qual seria o melhor momento de contar a uma criança que ela é adotada. E de como seria essa tal de “melhor forma”. Não sou nenhum especialista no assunto, minha vivência é tão somente na relação que mantemos com a Luísa. Mas digo: desde o dia que ela chegou em casa fazemos questão de falar que ela é nossa filha do coração, nosso potinho de ouro.

O preconceito com as palavras “adotivo” e “adoção” vem de nós mesmos e principalmente, do medo que ainda nutrimos de que o filho procure sua origem. Acho que por isso muita gente reluta em contar a verdade por anos e anos. Se formos desde já conversando sobre sua história, o momento dos questionamentos pode não ser tão traumático. E o fato de procurar ou não família biológica, isso é um direito garantido pela lei de adoção quando as pessoas adquirem a maioridade. É o livre arbítrio…

A terapeuta Claudete Longhi explicou que quanto mais cedo a criança souber da verdade, melhor. “É preciso ir contando desde o momento da adoção, na linguagem que a criança possa compreender”, afirmou. “Isso vai evitar um grande trauma. Quanto antes contar, mas segura a criança vai ser”.

Não existe tutorial de internet ou uma fórmula supersecreta para contar à uma criança que ela é adotada. Tem quem faz um paralelo com a história do Superman, tem quem fala em gravidez do coração ou em pote de ouro, e por aí vai. Tudo vai variar de acordo com a família, com a relação entre os pais e a criança, com a idade em que ganharam o novo lar.

A unanimidade, entretanto, é a seguinte: toda criança tem o direito de conhecer a história de sua vida.

A mentira em um caso desse traz duas grandes frustrações. A primeira, descobrir que foi abandonado ou maltratado pela família biológica. A segunda, que a família que o acolheu, mesmo falando tanto em amor, mentiu anos e anos sobre a sua própria origem. São dois baques e um sentimento de solidão medonho.

“Uma família não me quis, e a outra sempre mentiu para mim”… Já pensaram nisso?

No final desse texto tem a indicação de um livro que a Luísa ganhou de presente da avó por afeição Giancarla. Ele é lindo e bem didático. Vale muito ter um desses na instante.

Para quem tem um filho adotado ou pretende adotar, contar é sempre o melhor caminho. Para quem ainda sofre guardando uma história dessas no coração, nunca é tarde para falar a verdade. Sem julgamentos. Todo mundo tem o direito de saber sua história e é melhor descobrir pelos próprios pais adotivos.

Contando, evitamos que a nossa vida real tenha uma cena melodramática igual aquela do início do texto, típica das novelas do Manoel Carlos.

 

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Comentários

  1. Priscilla disse:

    Perfeito!!
    Verdade sempre, e contar desde o começo deve ser uma forma mais leve de transformar o abandono em Amor!
    A gestação do coração planejada e vivida plenamente faz com que seja uma consequência logica esse ato!
    Ao meu ver, a adoção é como se fosse um parto, uma forma com que um filho encontrou seu pai e mãe!!
    Um grande Abraço!!
    Pri Aitelli
    http://www.mamyantenada.com

    1. Fabricio disse:

      Oi Pri.. Obrigado pela participação.. Disse tudo.. é sempre bom contar a verdade… Ei, e teu site é ótimo.. Parabens.. beijos

  2. Claudete Longhi disse:

    Quando se adota uma criança ela vem com sentimento de rejeição, abandono, sofrimento e tristezas profundas. Se os pais adotivos não são verdadeiros é como se ele não existe e não se sentisse amado. Muitas vezes diante disso se torna um ser revoltado, com dificuldades nos estudo, agressivo entre outras características. Como se ele é uma mentira. A verdade mais o amor torna uma criança adotiva segura, feliz e compreensiva.

    1. Fabricio disse:

      Claudete, sempre contribuindo com a gente.. Disse tudo.. Grande beijo…

  3. SILVIA disse:

    PRECISO CRIAR CORAGEM

    1. fabricio disse:

      Oi Silvia
      Tome coragem… Vai tirar um peso imenso da costas…

    2. eliana lopes disse:

      Silvia, desculpe perguntar, mas que idade tem seu filho (a)?

    3. PLA disse:

      Silvia , por favor fale, seu filho ou filha precisa saber , não faça que nem meus Pais, não sei se eles não falaram por medo ou insegurança, mas eu perdi anos de contato com a minha família biológica que não ficou comigo apenas por condições financeiras, mas eu sei que eles sempre me amaram e por isso ficaram me procurando durante 20 anos. Então acalme seu coração com a verdade, será melhor para ambos e o amor do seu filho não vai acabar , acredite em mim.
      Coloque Deus na frente e tudo irá dar certo.
      Precisando de ajuda pode perguntar.

  4. Gizele disse:

    Minha filha tem 4 aninhos, não sabe exatamente o que significa a palavra adoção, mas entende da sua maneira que não saiu da barriga da mamãe e com O tempo isso vai sendo melhor esclarecido.
    Não é fácil para os pais, mas é necessário a verdade… Sofro cada vez que preciso falar sobre isso.

    1. Fabricio disse:

      Oi Gizelle.. imagino o quanto deva ser complicado – ainda não chegamos nesse ponto. Luísa tem apenas 1ano e meio..E é mesmo doloroso cada vez que penso nisso.. mas enfim, nos resta dar amor, carinho e verdade.. Grande beijo a você e sua família e obrigado pelo carinho..

  5. Carol Ortiz disse:

    Sou adotada e soube disso com meus 13 anos. Tem dois pontos que acho importante os pais saberem: primeiro, a verdade é a história real e ninguém tem o direito de roubar a história de outra pessoa; segundo: acho que todo mundo supervaloriza a palavra adoção, criando medos desnecessários. Meus pais são muito amados, admirados e respeitados por mim e isso é o que importa. As coisas são mais simples. Crie um filho, biológico ou adotivo, baseado na verdade e no amor. Não tenham medo porque os frutos sempre são doces qdo colhidos.

    1. Fabricio disse:

      OI Carol…
      Que depoimento lindo… Tenho amigos adotados e que nunca tiveram a “necessidade” de procurar pais biológicos. Penso que, se Luísa quiser, é um direito dela, totalmente dela, em saber de sua história. Não posso esconder algo que é dela, concordo contigo.. Nós mesmo é quem criamos esse medo, esse preconceito muitas vezes…. Que depoimento lindo o seu.. Muito obrigado, mas obrigado mesmo, por engrandecer o debate..
      Beijos e luz…

  6. eliana lopes disse:

    Olá, gostaria de deixar aqui minha experiência. Tenho uma filha adotiva e desde os 2 anos de idade fomos conversando devagarinho com ela a respeito da adoção. Sempre achei que um bom relacionamento com os filhos deve basear-se na verdade e não teria o direito de exigir dela uma transparência que não era recíproca. Aos 14 anos, através de uma rede social, uma das irmãs a chamou em uma mensagem e no mesmo instante ela me perguntou se eu conhecia a moça. Disse-lhe de quem se tratava. Ela como sempre, muito forte e franca, respondeu à moça que sabia quem ela era. Disse-lhe que estava muito feliz, que sabia da existência de todos eles e que estavam em suas orações, porém que não gostaria de manter nenhum contato. Ainda conversaram por uns dias, aliás, ela me mostrava todos os diálogos. Quando pressionada pelos irmãos biológicos a reencontra-los, ela me falou: “Mamãe, não conheço essas pessoas, não tenho afinidade com eles, mas também não os odeio. Não quero falar com eles.”. Eu disse-lhe então, “filha, seja franca e respeitosa e diga-lhes isso!”. Ela assim o fez e não se falaram mais. Hoje estamos na fila de espera para nossa segunda filha e minha querida primogênita, agora com 16 anos, está ansiosa por ter uma irmã. Está acompanhando todo o processo e vai conosco a todas as reuniões e eventos do Forum. Sendo assim, sou totalmente a favor da verdade! A nossa decisão ajudou a construir um relacionamento maravilhosos com nossa filha. Ela é incrível, não nos dá nenhum tipo de aborrecimento, a não ser o quarto bagunçado. rsrs. Espero que, com esse relato, eu possa ajudar na decisão dos incertos quanto à postura a ser tomada.

    1. Fabricio disse:

      Disse tudo Eliane.. A verdade sempre… Acho que, como tentei passar na matéria, a verdade choca menos.. Não precisamos esconder isso e passar por um “cenão” de novela.. Se tudo for naturalmente realizado e com amor, não há trauma…
      Desejo sorte nessa segunda empreitada… Adotar é bom demais né? Já estamos pensando no segundo também, mas queremos curtir a Luísa um pouco mais.. Aliás, isso gera outro texto, hehehe

      Muito obrigado pelo carinho.. Grande beijo

  7. Isabel Cristina Valles Kemp disse:

    Tenho uma positiva e maravilhosa história a respeito desse assunto , minha própria . Adotei meu filho quando nasceu . Logo na primeira noite já contei tudo a “ele .Me deitei ao lado dele , e falando bem baixinho em seu ouvido contei -lhe que não tinha nascido da minha barriga , mas que isso só era um detalhe que dali em diante eu era sua mãe , e ele meu filho , e que eu o amava mais que tudo ! Todas as noites eu conversava com ele dessa maneira : falando baixinho em seu ouvido , orando agradecendo a Deus ! ( é importante ensinarmos nossos filhos a amar a Deus desde pequeninos )E detalhe : ele nunca chorou a noite , sempre teve o sono tranquilo ! Quando ele fez 5 aninhos , ele chegou a mim e contou que não havia nascido da minha barriga mas que , eu era sua mamãe querida ! Nunca precisei contar a ele . Hoje ele tem 25 anos , formado em direito , só me dá alegrias !!!

  8. Fabricio disse:

    Que história linda Isabel… Isso só me deixa feliz e mostra que estamos fazendo correto… Sempre falamos para a Luísa também, desde o dia que chegou (com 24 dias) que era nossa filha do coração, nosso potinho de ouro do arco-íris… Não escondemos nunca, apesar da semelhança incrível dela com a mãe (no gênio e nos olhos, hehehe)….
    O fato de sermos verdadeiros dá a segurança para a criança, como afirmaram alguns psicológos que conversei…

    Nossa, quero te agradecer muito pelo depoimeto e pelo carinho…

    Grande beijo e obrigado pela leitura….

  9. PLA disse:

    Boa Noite pessoal!
    Tenho 23 anos e no dia 25 de maio do ano de 2015 descobri toda verdade sobre a minha vida. Descobri que eu era adotada , e a forma como tomei ciência disso foi realmente impressionante .
    Uma das minhas tias biológicas acabou me encontrando através de uma rede social.Fazia 20 anos que ela e minha família me procurava …
    Foi um espanto pra mim descobrir sobre toda a minha verdadeira história e desafio maior , foi colocar meus pais na parede e perguntar a verdade .
    Não foi fácil, eu fiquei perdida , não comia ,não dormia ,mas tomei coragem e perguntei , a início negaram ,mas quando viram que não tinha mais pra onde correr eles confirmaram .
    Nesse momento meu mundo caiu e por isso digo a vocês ,senhores País , não escondam uma história dessa para seus filhos ,eles tem direito .
    Sou uma mulher equilibrada , encaminhada da vida ,mas e se não fosse ? E se fosse uma descontrolada? Poderia ficar pior …
    Nunca vamos saber as consequências,mas a verdade é o melhor caminho!
    Respeito e admiro minha família biologia e amo a minha adotiva .
    Hoje tenho duas familias e eu tenho respeito e carinho imenso pelas duas .
    Moral da história? Amor é o caminho , amor é salvação.
    Adote uma criança ,salve uma vida Senhores pais.

    1. Fabricio disse:

      Poxa… Que coisa impressionante…
      É como eu descrevi, uma cena, uma surpresa, um susto gigante….
      Que bom que se relaciona bem com as duas famílias…Todos nós, pais, temos medo de momentos dessa “descoberta”e é por isso que contamos desde cedo para Luísa.. Sempre falamos que é nossa filha do coração, nosso pote de ouro do final do arco-íris…
      Como você disse PLA, é uma história que não podemos esconder… É a história de nossa filha, seu início de vida.. Faz parte da vida dela…

      Queria muito agradecer você por fazer parte desse bate papo.. Muito obrigado pela leitura, pelo depoimento e pelo carinho..

      Grande abraço a você e toda sua famíilia… Sucesso…

      1. PLA disse:

        Obrigada a você por disponibilizar essa página, depois que descobri , eu comecei a ler mais sobre o assunto, me interagir mais com as lindas histórias que eu leio, me deixa muito feliz em saber que vidas são salvas , que Pais são determinados para certas crianças. Mais na frente eu pretendo sim adotar uma criança, e poder dar todo meu carinho e amor para ela, o amor que essas duas famílias sempre demonstram por mim.
        Não pude contar minha história em detalhes mas só digo uma coisa: Deus existe e ele é bom, precisamos de mais amor no mundo.
        Continue com a página Fabricio e ajude mais crianças, mais pais , mais Famílias a descobrir o real significado dessa palavra.
        Que Deus o abençoe!
        Abraços da PLA ( é meu sobrenome atual )!

        1. Fabricio disse:

          Obrigado você… Estamos sempe a disposição e fico muito feliz que a nossa história vem sendo lida e agradando as pessoas..

          Grande beijo do Fabrício

  10. Dilce De marchi Pitan disse:

    Eu recebi Bruno aos 24 dias de vida, desde que ele começou a entender estórias comecei a contar para ele que é do coração criei de forma que ele entendesse. Falei assim: era uma vez uma mamãe ursa que não tinha leitinho pra dar ao seu ursinho lindo e então o deixou em um hospital, aonde uma outra mamãe ursa estava esperando e ficou muito, muito feliz que ganhou um belo ursinho pra cuidar. Com o tempo ele foi entendendo que o ursinho era ele. Hoje tranquilamente conta que ele não veio da barriguinha da mamãe e sabe o quanto o amamos.

    1. PLA disse:

      Ain que Lindo !!! Fico maravilhada vendo o cuidado dos pais no assunto, sei que é um desafio contar , mas que conte, não façam como os meus , apesar de tudo eu amo eles, mas eles erraram ao não me contar. Muito Bonito Dilce , parabéns pela iniciativa .