De repente, cinco anos

 

Eis que num piscar de olhos passaram cinco anos. 1800 e tantos dias. Parece que foi ontem que conhecemos a Luísa em meio aquela correria toda. Emoções, visitas ao abrigo, pré-natal de três dias, ajuda de amigos, o primeiro Natal….

aniversário de criança

Sempre que falo em grupos sobre adoção ou paternidade, explico como entrei em pânico naquela época. Como tive medo de enfrentar tudo. Precisei de um tempo e, no fim das contas, só fui pegar Luísa no colo dois dias depois que a conhecemos.

A pequena dos olhos de jaboticaba chegou como um furacão, mudou por completo nossa vida – e continua mudando. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu: reelegemos uma presidenta, a presidenta foi cassada, um presidenciável morreu em acidente de avião, outro foi esfaqueado – e depos eleito. Apareceu o Trump. O dólar subiu e desceu. Tivemos duas Copas do Mundo, perdemos uma para Bélgica e outra para Alemanha. Felipão foi dos 7 a 1 para mais um título pelo meu Palmeiras.

Perdemos pessoas legais e companheiros inesquecíveis. Ganhamos novos amigos. O mundo mudou. Eu mudei.

Aprendi, ou melhor, venho aprendendo a ser pai. Gisele voltou ao trabalho, passei a dividir as tarefas profissionais com os cuidados com as criança. Algumas vezes consegui, outras não. No fim das contas, Luísa ficou comigo por dois anos e meio, até que finalmente começou a frequentar a creche. E a adaptação, para quem não se lembra, foi muito difícil (só ler aqui)

Dias atrás Luísa assoprou as velinhas para comemorar seus cinco anos. Depois da festinha, sentei e pensei em como esse tempo passou rápido. E como sou uma pessoa diferente desde que ela chegou em nossas vidas. Percebi que a tarefa agora é não é tão simples como trocar fraldas, dar banho e mamadeiras. Acho que os cuidados são ampliados, educar é muito mais complicado. Estamos diante de uma pessoinha com ideias, opiniões e que acima de tudo está atenta a tudo que falamos ou fazemos. Uma esponja.

O que eu considero importante hoje é bem diferente do que há cinco anos. Escolher o melhor protetor solar, cuidar mais da saúde, voltei a praticar esportes. Tenho uma alimentação melhor e luto oara que ela tenha também, apesar de um sanduíche aqui, uma batatinha ali. Passei a sorrir mais, passei a brincar de bonecas, de carrinho, de pega pega, de balé e de escolinha.

Só que a correria do dia a dia tem me impedido de fazer mais. Preciso muitas vezes levar Luísa aqui ou ali, em coletivas, em reuniões. Me cobro muito por isso. Sinto saudades de ir ao parquinho pela manhã, de dar um passeio de bicicleta logo que a mamãe sai para o trabalho. Só que a vida não pára. Voltei ao mercado de trabalho, retomei minha vida profissional. Ao mesmo tempo que falho de um lado, posso oferecer mais coisas.

Como lidar com essa equação é a pergunta que me faço todos os dias.

Quero a presença dela comigo – e ela diz gostar disso. Só que a infância deve ser tratada como infância. Não dá para ficar levando Luísa em todos os lugares. Ano que vem, ela terá que ir para uma creche em período integral. Gostaria de ter condições de mantê-la meio período em casa, só que a vida profissional precisa seguir. Fui pai integral muito tempo e me arrepio de pensar em deixá-la o dia todo e quando pegá-la, no fim da noite, mal conversar de tanto sono. Penso comigo que é uma questão de adaptação e que será bom para seu desenvolvimento. Me esforço em pensar isso.

Meu trabalho mudou, nossa vida vem mudando, mas não as coisas que considero importante. Justamente por isso, busco agir com Luísa como o ursinho Pooh, num filme que assisti esses dias. Quando ele é questionado sobre qual seu dia favorito, sabiamente responde:

_ Meu dia favorito é hoje.

Simples assim….

 

 

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