Desapegando

 

Sapatos Desapego

Primeiro tênis que a Luísa usou e o um dos que usa hoje: pés crescem, espaço em gavetas diminuem.

 

Fui vestir a Luísa e percebi que aquela roupinha cor de rosa, bonitinha, pequenina e toda cheia de frufru não servia mais. Ao mesmo tempo, uma sandália já ficava pequena no pé e uma blusa que adorávamos custava a passar pela cabeça dela.

_ Fabrício, as roupas encolheram!!!

_ Não são as roupas, Gisele. É a sua filha que está crescendo.

Sim, a Luísa está crescendo e as roupas vão se perdendo com uma ou duas “usadas”. Tem roupinha que ela nem chegou a vestir porque no inverno passado era muito grande e nesse já ficou pequena. Ela já cresceu mais de 35 centímetros desde o dia em que a conhecemos. Pode parecer pouco, só que é mais do que uma régua.

Passado o susto inicial, a constatação: estamos com uma “lojinha”  de bebê aqui em casa, cheia de roupas, sapatos e acessórios que não servem mais na Luísa. Os bodys, vestidos, babadores e sapatinhos vão se acumulando e lotando um guarda roupas. De início, não queríamos nos desfazer de muitas peças, mas Gisele decidiu reunir tudo e mandar para um brechó.

Sentamos para exercitar o chamado “desapego”. Gisele, bem mais despachada do que eu, rapidamente separou o que deveria ser repassado. E vez ou outra eu a contestava, abismado:

Vamos nos desfazer dessa blusa?

E desse body? Ah, mas essa roupa não. Ela usou no dia que andou na rua pela primeira vez.

Essa aqui foi no dia que fui ao pediatra sozinho com ela.

Essa também não. Não lembro o dia que usou, mas acho que foi importante.

Sofri com a minha resistência inicial, mas logo separamos tudo e levamos a um brechó aqui em Florianópolis. Depois ainda vi dois sites que trabalham com a questão do “desapego” e onde é possível criar “lojinhas” e vender as roupinhas do bebê.  Quem quiser, pode acessar ao Desapego e ao Ficou Pequeno.

Sobraram algumas peças que mantemos um carinho especial, obviamente. A roupa com que ela veio para casa, a tal “saída da maternidade”, foi um presente dado pelas funcionárias do abrigo em que Luísa ficou nos primeiros dias de vida. Coloquei em uma moldura para o primeiro Dia das Mães da Gisele. Olha como ficou:

 

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O exercício do desapego foi um pouco mais complicado para mim, mas acho que é mais uma coisa que venho aprendendo graças à presença da Luísa em nossas vidas. Outro dia mesmo fui jogar futebol e me apavorei quando um amigo me perguntou de que time era minha camiseta. Era de uma equipe de futebol de salão e meu pai havia comprado para mim em 1993. Não tive coragem de perguntar em que ano o rapaz havia nascido, mas creio que foi depois disso.

Parei para pensar e mais uma vez agradeci a Luísa por me fazer enxergar mais uma coisa que está diante de meus olhos.

Percebi que eu é que preciso de uma “faxina” em minha vida. E que o desapego deve começar pelo meu próprio guarda roupas.

 

 

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