Chega: não quero ser chamado de pai herói ou super pai

Um dia desses Luísa parou de brincar com suas massinhas e, insatisfeita, disparou: “Puxa papai, porque você não fala comigo?”. Aquilo me deixou péssimo. Nada de pai herói, me senti o pior dos pais do planeta. Ao mesmo tempo me fez refletir muito sobre essa imagem de paizão, pai herói e tantos outros adjetivos que vemos pipocar por aí – principalmente nas propagandas do Dia dos Pais.

Pai herói não existe

E você, que tipo de pai você é? Um pai herói ou um pai comum? Estávamos no jardim de casa brincando. Por algum tempo fiquei conversando no Whatsapp. Pronto! Foi o suficiente para esquecer que os assuntos com a Luísa eram muito mais interessantes. A reação foi uma completa indignação com a minha ausência. Eu estava ali, mas ao mesmo tempo não estava.

Me senti muito mal com aquela “bronca” que levei. Errei e fiquei envergonhado. Como assim, as aventuras da Patrulha Canina ou o bolinho de massinha e britas que ela estava fazendo não eram tão interessantes quanto minha conversa no celular? Passei a questionar muitas coisas. Aí me questionei: que tipo de pai sou eu? O pai que entrega um tablet na mão da filha para que ela assista desenhos enquanto faço minhas coisas? O pai que senta para brincar, a leva ao parquinho, mas fica do mexendo e remexendo em redes sociais? Ou o que só fala o seu nome na hora de chamar a atenção ou dizer que não pode mexer aqui e ali?

Chega: não quero ser um super pai. E aproveito que o Dia dos Pais está chegando para me libertar desse fardo. Não me chamem de paizão ou coisas do tipo, nunca mais.

Não sou nenhum especialista,  nenhum coach, palestrante ou algo do tipo. Sou só um pai que escreve e conta histórias e – aliás, está à procura de uma boa editora. Se alguém tivesse que ensinar algo seriam meus avós, tanto do lado materno – que criou nove filhos -, quanto do lado paterno – que criou outros sete. Meu pai trabalhava o dia todo e à noite cuidava de três meninos enquanto minha mãe lecionava.

Pensando assim, o que posso eu ensinar a alguém?

Só sei dizer para vocês que ser pai é muito bacana. Participar do crescimento de seu filho, estar ao seu lado quando ele dá os primeiros passos,  diz as primeiras palavras, sofre com a adaptação na creche e começa até a argumentar contra as “normas” da casa: tudo isso não tem preço. Estive e sempre estarei por perto. Não arrependo em nada da minha opção de ficar com a nossa menina cacheada. Penso que ser um pai também é lavar louça, lavar roupa, fazer comida. A obrigação nossa, dos papais, é dividir as tarefas. Todas elas. E no nosso caso, dividir as tarefas para quê? Para que Gisele possa chegar em casa de noite e também curtir seus momentos com a Luísa, da mesma forma que eu curto durante o dia.

Mas nada disso faz de mim um paizão.

Não gosto dos rótulos, não gosto quando me chamam de pai herói ou coisas do gênero. Não suporto quando me olham como um alienígena no consultório da pediatra e muito menos quando me perguntam “Cadê a mãe?” – e acreditem, isso acontece. Também não acho legal quando vejo comerciais mostrando pais super inchados, como se fossem super-heróis ou criaturas perfeitas, acima do bem e do mal.

Nem tenho o objetivo de ser um pai de comercial. Nada de paternidade ativa, responsável, integral ou algo parecido. Quero ser um pai normal. Um pai sem adjetivos.

Pai e ponto.

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