Dois anos como pai em tempo integral

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Tenho andando mais introspectivo nas últimas semanas. E com as crises de otite da Luísa, duas em menos de um mês, os dias foram dedicados a consultas médicas, um pulinho na emergência, outro no otorrino, outros tantos na farmácia, além de uma agenda repleta de olhadelas em termômetros e nos horários dos antibióticos. Acabei deixando muitos afazeres de lado devido a esses dias mais tumultuados. Quando parei para pensar, lembrei que este mês completaram dois anos que a mamãe voltou ao trabalho e que assumi os cuidados do dia a dia em relação à Luísa.

Qual a sensação? O que mudou nestes dois anos?

Pai em tempo integral, papai 2.0 ou então, dad at home como os americanos tanto falam. O fato é que tudo até aqui tinha sido muito fácil. Agora sim, posso dizer que a situação é mais complicada.

Já contei aqui no blog e na página do Facebook sobre as dificuldades que tivemos no início. Gisele voltou a trabalhar pouco antes da Luísa completar seis meses e não tinhamos nenhuma segurança sobre o sucesso desta empreitada. Eu não tinha nenhuma experiência e para ser sincero, nenhum jeito com uma série de coisas. A obediência a rotinas nunca foi o meu forte, desde pequeno, e isso era outro fator que nos deixava preocupados. Foi um início bem difícil (MAIS DETALHES AQUI)

Entre mamadeiras, fraldas, banhos e papinhas e idas ao pediatra, acabei conseguindo, mudando muitos aspectos de minha vida e sendo muito mais feliz. Adotei horários, disciplina para alimentação, trabalho e descanso, coisa que eu desconhecia em quase uma década trabalhando como jornalista on line.

O ponto mais difícil foi o trabalho. A questão de conciliar minhas atividades profissionais e a atenção a um bebê parecia um bicho de sete cabeças . Luísa me acompanhou em entrevistas, em vários dias de trabalho externo e, muitas vezes, acabava editando vídeos com a pequena sentada brincando ao meu lado. Sempre achei que com o passar do tempo, me habituaria mais e que tiraria de letra essa questão.

Mas não é bem assim.

O tempo foi passando. E conciliar tudo com alguns trabalhos foi ficando cada vez mais complicado.

Ao contrário de um bebê, uma criança de dois anos e meio não pára quieta. Tem vontades, desejos, quer brincar disso e daquilo, te chama a todo instante, mexe onde não deve e onde não pode. Aprendeu a dizer”não” e, ultimamente, vem usando e abusando disso. Por incrível que possa parecer (desculpem a ignorância, eu não imaginava que fosse assim), parece que quanto mais crescem, mais dependentes ficam. Agora por exemplo, está com a mania de “super herói” e quer saltar de bancos, sofás e camas a todo instante.

Tem se tornado complicado trabalhar em casa com ela por perto. E não posso nem pensar mais em levá-la a uma entrevista ou jornada de trabalho. Agora pelo menos existe a creche durante a tarde. Só que, ao contrário do que eu pensava, os dias parecem mais intensos. A manhã ficou ainda mais curta: é preciso levar mamãe ao trabalho, voltar, ajeitar o almoço, dar banho, brincar um pouco e deixar tudo no jeito para sair de casa no horário certo.Tudo se concentrou no período matutino e durante a tarde, preciso arrumar a bagunça que deixamos na casa.

Fazendo um balanço de minha vida nestes anos, pensei e repensei muitas coisas. Passei a dar mais valor ao importante e não ao urgente. Passei a me alimentar melhor (embora muitas vezes ainda enfie os dois pés na jaca). Perdi alguns trabalhos, devido a crise, devido a impossibilidade de horários e etc e tal. Isso obviamente refletiu no bolso. E quando reflete no bolso, no material, a gente para para pensar sobre o caminho trilhado.

Fiz certo ou errado?

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Poderia ter colocado a pequena na creche bem antes e continuado com o mesmo rumo? Pode até ser.. Uma hora dessas estaria realizando uma cobertura de greve de ônibus, de passeatas contra a Dilma, o Temer e o Cunha…. Estaria acompanhando convenções político partidárias de junho.

O bolso até poderia estar mais cheio. Mas eu estaria feliz? Não, não estaria.

Mudei meu esquema, meu foco de trabalho, e tenho apostado em um novo segmento dentro da minha área, a comunicação. Já fiz isso uma vez, há quase uma década, quando fui praticamente o primeiro jornalista exclusivamente on line aqui em Santa Catarina. Filmava, fotografava, editava, escrevia e fazia a locução de reportagens de todas as editorias.. Via minha esposa por uma ou duas horas ao dia, e só. Não sei como Gisele suportou isso.

Quantas vezes não editei ou escrevi sentado no carro, ou em lojas de conveniência para poder ganhar tempo. O meu tempo aliás, era todo dedicado a isso. Só agora passei a desfrutar dele.

Aí vejo que nestes dois anos acompanhei de muito perto o crescimento da Luísa. Vi os primeiros dentes, os primeiros sons, os primeiros passos, os tombos. Tenho até presenciado as primeiras grandes birras. Todos os dias ganho um abraço nas pernas e um beijinho estalado no rosto.

Penso que fiz o certo.

Mudei de rumo, mudei de vida, plantei um novo objetivo e espero agora pelos frutos. Se a minha aposta profissional deste momento está certa ou errada, o tempo vai me dizer. Tenho trabalhado não com o bolso, mas com o coração. Lógico que muitas vezes o bolso vazio deixa o coração mais inquieto, mais apertado.

Só que o coração é lugar de amor e não para ser tomado de inquietudes. Então acredito sempre: sorrio, passo a mão nos cabelos cacheados da Luísa, olho dentro de seus olhos de jaboticaba e agradeço pelos dois melhores anos de minha vida.

 

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