Dor de ouvido: o que fazer e como combater esse mal?

Contribuição especial da equipe Alô Bebê para o Diário do Papai

Lembro muito bem. Era dia 10 de junho do ano passado e foi a primeira (e única vez) que passamos uma madrugada em uma emergência de hospital por causa da Luísa. Ela começou com um choro incontrolável e logo percebemos que estava quente: 41 graus de febre. Foi um Deus nos acuda ver a pequena sofrendo daquele jeito. O diagnóstico foi otite e felizmente não ocorreu nenhum outro episódio (contei toda a história aqui). Recebi um material dos amigos do Alô Bebê e por isso aqui repasso, pois com a chegada de estações mais frias, a incidência dessas doenças acaba aumentando. 

E ninguém quer ver os pequenos sofrendo e com dores, certo?  Então vamos lá:

A otite pode ser definida como uma dor nos ouvidos do bebê e um transtorno na vida dos pais. De 0 a 3 anos, é muito comum que as crianças passem por este mal, mas, para o alívio dos papais e das mamães, com o tratamento adequado é possível resolver rapidamente este incômodo.

Estudos revelam que 60% dos casos de resfriado em bebês de 6 a 12 meses podem se transformar em otite média. Conforme a criança cresce, o sistema imunológico vai se desenvolvendo e ficando menos suscetível à doença. No entanto, a possibilidade de ver o seu filho enfrentando otite pelo menos uma vez na vida é grande, pois esta é a segunda infecção mais comum durante a infância.

Saiba como passar por este momento da vida do bebê sem complicações auditivas.

CONHECENDO O OUVIDO

Antes de mais nada, é necessário compreender que o ouvido tem uma região externa, chamada de orelha externa, que é coberta por pele e constituída pelo pavilhão auricular e o conduto auditivo. Este termina no tímpano, uma membrana que localiza e amplifica os sons até a segunda região, a orelha média. Nela, fica a tuba auditiva, que se conecta ao nariz. Ainda mais fundo, a orelha interna, formada pela cócliea e o labirinto, finaliza o aparelho auditivo.

A otite é a infecção que ocorre no ouvido. Se for no ouvido externo, é chamada de otite externa, e, se for no ouvido médio, é a otite média, que é a mais frequentes nos pequenos.

AS CAUSAS

A otite média acontece dentro do tímpano graças a proliferação de bactérias, que, ao contrário de outras doenças comuns no universo infantil, apenas 15% das otites têm relação viral. Para que ela aconteça, as bactérias presentes no nariz e na garganta acabam migrando para a tuba auditiva, que fica inchada, o que é mais comum de acontecer quando a criança já está constipada devido ao acúmulo de secreções causadas por resfriados, alergias ou sinusites. Quando há formação de pus, que pressiona o tímpano e intensifica as dores, a doença evolui para otite média aguda. Já a otite externa é predominante no verão, quando a criança passa muito tempo dentro da água, seja do mar ou da piscina, pois a alta umidade na região é um fator de risco.

COMO SABER SE O SEU FILHO TEM OTITE

Quando a criança é muito pequena e ainda não sabe falar, costuma ser mais difícil perceber os sintomas da doença e identificar o tipo, pois ambas se manifestam de forma parecida.

Os pequenos demonstram perda de apetite, pois a dor no ouvido pode fazer com que o ato de se alimentar seja doloroso, mudança no sono (o ouvido dói mais quando a criança fica na posição horizontal), cheiro ruim no ouvido causado por inflamações, sensação de ouvido “tampado” e a consequente perda de audição quando o som está em volume baixo. Muitas crianças podem mexer frequentemente na região e ter febre, que é um sinal de que o organismo está lutando contra as bactérias. Os bebês ficam mais irritados e chorosos.

Ao perceberem algum ou o conjunto destes sintomas, você deve levar o seu filho ao hospital, pois ele pode estar sofrendo com dores que precisam ser aliviadas.

TRATANDO A OTITE

No hospital, o médico pode diagnosticar facilmente a doença utilizando um otoscópio. A maioria dos casos é leve, desde que tratados precocemente, e não chega a assumir um grau crítico, como uma surdez causada pelo acúmulo de líquido nos tímpanos. Se a doença se tornar recorrente ou resistente ao tratamento, vale passar por uma consulta com um otorrino.

Para o tratamento, o médico geralmente vai receitar antibióticos para crianças de até seis meses, pois o sistema imunológico delas não é capaz de dar conta do combate à doença. Depois dessa fase, são recomendados medicamentos que controlam a febre e aliviam a dor, e métodos caseiros também podem ser usados, como bolsa de água aquecida. Em menos de uma semana os sintomas vão embora, mas pode ser que a audição leve mais tempo para voltar ao normal.

COTONETE: O VILÃO

Usar o cotonete para limpar o interior do ouvido da criança é muito comum, mas é um erro grave que pode acarretar na otite externa, no caso de provocar lesões, e agravar a otite média, se houver presença de pus. O ouvido deve ser limpo apenas externamente, com uma toalha de pano, pois o cerúmen é a proteção natural desta parte do corpo.

Além disso, ensine o seu filho a assoar o nariz. Esta tarefa simples evitará que os agentes nocivos permaneçam no corpo da criança e façam a migração para a tuba auditiva. Outra excelente forma de prevenção é o aleitamento materno por, no mínimo, 6 meses, pois, junto com o leite, a criança recebe anticorpos fundamentais para fortalecer o sistema imunológico. Na hora da amamentação, deixe a criança a 45º. Como o canal que comunica o nariz ao ouvido é curto e horizontal nos pequenos, é comum que o refluxo também possa causar inflamações.

 Lembre-se: a saúde e o bem-estar do seu pequeno são prioridades, então além de oferecer segurança na hora do banho, passeio com o carrinho ideal e o bebê conforto para uma viagem de carro tranquila, garanta que a vacinação também está em dia, principalmente contra o vírus da gripe, o Influenza, e a bactéria pneumococo, causadora de inflamações como meningite, pneumonia e sinusite. Estas vacinas são oferecidas gratuitamente nos postos de saúde.

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