É hora da creche?

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Tenho pânico quando penso que está chegando o dia do nosso bebê ir para a creche. Pensar na pequena sendo entregue a uma cuidadora – mesmo que apenas por algumas horas – vem fazendo parte dos meus mais tenebrosos e assustadores pesadelos noturnos.

Pensar nela caminhando para a escolinha com a mochilinha nas costas, rindo sem olhar para trás então, me faz encher os olhos de lágrimas.

E sei que a hora está chegando. E sei que é para o bem dela.

Luísa cresceu, já tem pouco mais de um ano e três meses de idade, onze dentes, os cabelos encaracolaram e começam a ganhar mais volume. Ela caminha mesmo que cambaleante e parecendo um pinguim, arrisca umas corridas, entende tudo o que a gente fala e tem uma energia gigante para gastar.

Com tudo isso ficou difícil, para não dizer quase impossível, conciliar o trabalho – mesmo que em casa – e cuidar dela ao mesmo tempo, tarefa que como a maioria dos amigos amigos sabe, mantive aos trancos e barrancos ao longo dos últimos meses.

Mesmo assim, o dia da creche me assusta.

Acho que toda mãe deve passar por isso. Sempre me falaram no tal “dia” e nunca achei que fosse tão assustador. Já ouvi de pais que saíram aos prantos da creche. Mas à medida que o dia se aproxima, vejo sim, que é um momento difícil, um momento de ruptura.

Mas calma: tua filha não está indo para uma balada (tá, esse dia também irá chegar, mas sobre esse assunto espero tratar daqui uns 15 anos). Ela irá para uma creche, receberá carinho e atenção e irá se desenvolver. Sempre dizem isso como uma maneira de me confortar. Sempre digo isso para mim mesmo.

Penso nas mães que carregaram os filhos por nove meses. De repente, aquele serzinho minúsculo e frágil fica com elas por quatro meses até que chega o fim da licença maternidade e o “dia da creche”. Agora entendo o sofrimento.

Luísa é minha “companherinha” do dia a dia há quase um ano. Tinha cinco meses de idade quando Gisele voltou ao trabalho. Aceitei o desafio de mantê-la comigo, sem creche, e cuidar dela durante todo o dia. Assumi a função de ser pai e babá full time, sem entender nada, sem saber como seria e como iria trabalhar. Pautas e fraldas passaram a fazer parte do meu dia a dia.

Desde então, ela é minha parceira inseparável em idas à pediatra, posto de saúde, supermercados, passeios a praia e parques, tardes com desenhos no Discovery Channel, jogos da Champions League e até em entrevistas coletivas. Sim, isso porque mantenho o “hobby” de ser jornalista às vezes, quando a profissão de pai e babá me permitem.

Tentei fazer o meu máximo. Aprendi e aprendo todos os dias com a Luísa, desde a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, até o cumprimento de horários e rotinas (coisas que me apavoraram). E ainda hoje penso que não cuidei dela. É ela que cuida de mim.

Agora está chegando a hora da creche. Tento desviar do assunto muitas vezes, mas não há escapatória. Luísa está cada vez mais ativa, brincalhona, alegre, interessada pelas cores, sons, movimentos e por todas as coisas e descobertas que o mundo pode lhe oferecer. Ela, que teve um início de vida tão dramático e cheio de sofrimento, descobriu que viver é legal demais.

Luísa está pronta para ir à creche. O pai é que não.

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Comentários

  1. Fabiola disse:

    Eu fico aqui imaginando quais serão as primeiras palavras que a Luísa vai deixar no Diário do Papai. Será que vai ser com 3/4/5 anos? Pq do jeito que esta garotada está…o mundo virtual é baba prá eles, rss. Meu pequeno (hj com 15) se meteu na frente de um PC com 2 anos, kk. Com pai jornalista, será que ela vai pedir prá ele escrever o que ela está pensando? Quero dar muita risada quando esta princesa acabar com as (para)nóias deste pai (e mãe) babões e se declarar apaixonada pela vida com as lindas asas que ambos estão dando a ela.

    1. Fabrício disse:

      Pois é Fabíola, ela já pega a câmera fotográfica e tenta olhar pelo visor, pega o tablet da Gisele e arrasta os dedinhos… hehehe…. A gente faz o possível e sei que daqui uns anos ela vai rir muito disso tudo.. Beijão e obrigado por participar…

  2. Glaucia disse:

    Essa angústia de deixar os nossos bebês na creche eu já passei por duas vezes, na verdade, o que eu sentia era algo mais parecido com um sentimento de culpa, que durava alguns dias até eles se adaptarem e darem adeus todos sorridentes quando me deixavam no portão para irem com a “tia”…meus dois filhos, uma menina e um menino, tem personalidades muito diferentes e ambos amam a escola. É legal visitar a creche, conhecer o ambiente e verificar se oferece segurança. Desde o acesso ao portão da saída (que deve ser restrito para que não haja fugitivos) aos brinquedos, banheiros, cozinha, local do soninho, etc. Conhecer a “tia” . Enfim, não sei se contribuí, mas, desejo uma ótima adaptação da Luísa e dos papais, acompanho a história de vocês desde o início e tenho certeza que assim como a Luísa é uma benção na vida de vocês, muito mais vocês são na vida dela.

  3. […] Sabia que iria ser sofrido e extenuante, mas não tinha ideia do quanto. Estou escrevendo esse texto depois de algumas poucas idas à escola – da rede pública de Florianópolis – e já vi que terei que dividir essa história em vários capítulos. Eu já havia contado, aqui mesmo no blog, que eu é que não estaria pronto para esse dia. CONFIRA AQUI […]