E que venha 2017

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E chegou o fim.

Dia de brindar, pular ondinhas, chupar sementes de romã, jogar lentilhas sobre os ombros, subir na cadeira, abrir as torneiras a meia noite, usar roupas brancas ou amarelas, tomar banho de mar, abraçar amigos e família, brindar, sorrir e acreditar. Tudo isso para comemorar o ano novo que está chegando – ou seria para comemorar o fim do que passou?

2016 foi um ano duro. Pelo menos para mim foi um ano carrancudo, mau humorado, que mostrou não ter lá muita simpatia comigo. E nem fez muita questão.

Posso dizer com todas as letras que 2016 me fez mais chorar do que rir. Como todos os outros anos, tive angústias, sofrimentos, alegrias, perdas, conquistas, decepções e aflições. Mas este ano algumas coisas ficaram marcadas, como por exemplo a despedida do nosso querido Alemão. Lembro do miado e de seu jeito carinhoso, e me entristece saber que esse tempo não volta mais, que ele não estará com a gente em 2017. Apenas no coração.

Muitas coisas – e muitas pessoas – não voltam mais. O tempo passou.

Foi um ano intolerante, onde a opinião era sinal de ser coxinha ou amante de mortadela, que ser amigo de um, significava ser inimigo de outro. Intolerância.

Intolerância política.
Intolerância racial.
Intolerância sexual.
Intolerância religiosa.

Estranho em entrar em devaneios nestas últimas horas do ano. Todos os anos choramos, sorrimos, perdemos e ganhamos. Em alguns, as perdas são mais dolorosas e em outros, as conquistas são mais saborosas. Ao mesmo tempo que estou comemorando o fim de 2016, há alguém feliz e agradecendo ao ano bom que teve.

E nem preciso ir muito longe. Acho que Luísa teve um ano bom. Começou a frequentar a creche, desembestou a falar, fez amiguinhos, descobriu as maravilhas dos livros e das histórias das princesas, ganhou uma casinha de bonecas no jardim, uma bicicleta, muitos e muitos presentes e acima de tudo, muito amor e carinho. Nos últimos dias de 2016 foi visitar vovô e vovós em Minas Gerais. Se divertiu em passeios de trem, viu cavalos, macacos e patos, brincou com os primos, titios e titias.

Me diverti muito também. Recarreguei todas minhas baterias com tanto amor da família minha e da Gisele. Ficamos mais de um ano sem ir lá e só agora percebo o quanto esse calor faz falta. Apesar de toda a correria, por que não dizer: terminei o ano de 2016 sorrindo.

Ao praguejar sobre os últimos dozes meses – por pior que tenham sido – me sinto como o velho Santiago, na sua heróica e inútil luta pela vitória no mar. Ele até consegue seu grande peixe, mas não vence todos os tubarões. Ele se fere e perde quase tudo: menos a possibilidade de sonhar.

Por isso, deixemos as intolerâncias e reclamações de lado e vamos buscar fazer não o ano, mas sim o próximo dia, com mais amor e paz.

Espero começar o próximo ano nos trilhos como estou terminando esse: com muitas esperanças, sonhando, trabalhando e sorrindo para que 2017 seja muito melhor do que 2016.

E bem pior do que 2018.

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