Eu e o bebê conforto

Na hora de buscar a Luísa eu não consegui colocar bebê conforto no carro

Na hora de buscar a Luísa, não consegui colocar bebê conforto no carro

Até hoje, quando levo Luísa para revisitar o abrigo onde passou os primeiros dias de sua vida, sou tratado como o “moço do carro”. Tudo isso por causa da noite em que finalmente a levamos para a casa.

Contei minha dificuldade em pegar o bebê no colo nos primeiros dias, meu susto e pânico diante de uma situação que, embora desejada, era completamente nova para mim. O que vocês não imaginam é o quanto foi difícil me acostumar com o tal do bebê conforto.

Na hora que finalmente estávamos com o papel da guarda na mão, meu telefone não parava de tocar. Era a produção do Terra TV, despesperada para que eu entrasse ao vivo para falar sobre o trânsito em Florianópolis. Tentamos mais de dez vezes, mas não dava certo na hora de transferir a ligação. Ao mesmo tempo, eu tentava prender o bebê conforto no carro da Gisele para que levássemos Luísa para casa. Também não dava certo.

Quase todas as funcionárias do abrigo me ajudaram. Ninguém conseguiu.

_ Tem certeza que não está faltando peça?

_ Acho que esse bebê conforto não é compatível com um Uno. Tenta no outro carro.

_ Esse bebê conforto está quebrado.

E ninguém conseguia. A Gisele – normalmente impaciente com a falta de habilidade do papai aqui para essas coisas – não se incomodou. Apenas namorava a Luísa, que aguardava sereninha em seu colo.

Na correria dos últimos dias, esqueci de testar o equipamento, emprestado por amigos. Não fazia a mínima idéia de onde passava o cinto, onde amarrava, se colocava de frente ou por trás da cadeirinha. Enfim, não sabia nada.

Ficamos quase uma hora assim, ao mesmo tempo que o telefone esguelava e eu tentava mais uma vez uma entrada no jornal para falar sobre o trânsito. No final das contas, uma funcionária deu a sugestão: largue seu carro aí e a mamãe vai no banco de trás segurando o bebê conforto com a Luísa.

E assim fomos. E assim atravessamos praticamente toda a ilha até que Luísa finalmente chegasse em sua nova casa. Quando chegamos, a vovó já havia montado uma árvore de Natal gigante na sala. Estava tudo pronto.

Meu carro ficou no abrigo por uns quatro dias, até que me lembrei de buscá-lo. No final de semana, ainda tentei de todas as maneiras instalar o tal do bebê conforto, mas não conseguia. Assisti tutoriais da internet e as explicações me deixaram ainda mais confuso (tá,  estava tão nervoso e ansioso que me atrapalhei demais).

Depois de assistir a uns cinco tutoriais do You Tube, veio a idéia genial: vou a um posto da Polícia Militar Rodoviária para ver como é que esse troço é corretamente instalado.

Contei o meu drama para o patrulheiro, expliquei que já estava quase ateando fogo no bebê conforto tamanha era a minha raiva e que só ele poderia me ajudar. O policial me atendeu, sorriu e logo disse:

_Nós não multamos por causa disso não, fica tranquilo…

_Mas o problema não é a multa, seu guarda, não quero que a minha filha fique solta dentro do carro.

_Ah sim, então eu vou chamar o outro patrulheiro ali, que é pai e deve saber como coloca.

L O G I C A M E N T E que os dois riram da minha situação pois quando o “policial papai” em questão chegou, mal escondia sua vontade de gargalhar diante do meu dilema. Ele foi ao banco de trás, prendeu a cadeirinha de uma maneira que eu já havia feito. O equipamento ficou meio frouxo e ele disse que era assim mesmo.

Depois de todo o sufoco, finalmente a cadeirinha parecia estar colocada. Era frouxo mesmo e eu não sabia? Agradeci, esboçamos uma risada sobre toda a situação e entrei no carro para ir embora. Quando manobrava para deixar o posto policial, o mesmo patrulheiro veio correndo para me dar um “conselho”.

_ Olha moço, nunca tive muita certeza se instalava isso certo. O senhor poderia procurar um tutorial no YouTube. A cadeirinha não segura nada e então, acho que o ideal mesmo é não bater o carro desse lado.

Obrigado pela dica. Nunca a esquecerei.

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Comentários

  1. oraida maria santos escandiussi disse:

    Até imagino a cena, Fabrício.Adorei