Eu e o tempo

 

 

Desde que comecei a trabalhar com o Diário do Papai tenho vasculhado os arquivos de fotos e vídeos da Luísa. Me espantei com suas mudanças e principalmente com a velocidade com que o tempo passa.

Sempre tive problemas com o tal do tempo. Ainda adolescente, recordo de minha mãe me pedir calma e me comparar ao Coelho Branco, do Alice no País das Maravilhas: sempre atrasado e correndo. Depois até descobri que existe uma “Síndrome do Coelho de Alice”, que é justamente isso: pessoas que estão sempre apressadas e atrasadas e não se acostumam com o relógio.

Por anos usei a minha profissão como “muleta” pelo fato de “não ter tempo para nada”. Tocava o bipe (sim, ainda sou do tempo do bipe) informando de um acidente ou homicídio e lá ia eu, no meio da madrugada.  Com o jornalismo on line essa relação piorou. A atividade requer que as pautas sejam concluídas quase que em tempo real, instantaneamente. Quantas e quantas vezes saí de casa em horários estapafúrdios ou em pleno final de semana para cobrir uma fuga de presos, um acidente grave ou até a chegada de famosos na cidade. Valeu a pena, sim, afinal de contas, adoro jornalismo. Mas agora tenho prestado mais atenção no tempo.

Vendo as imagens da Luísa percebi que o tempo é mesmo implacável. Uma hora a gente olha e a pequena mal se move, mantém as mãozinhas fechadas e se comunica apenas com o olhar (ahhh e que olhar).  No outro, ela já está correndo, dançando e jogando as coisas no chão. Fiz esse VT, mostrando em quatro minutos o desenvolvimento dos últimos 18 meses.

E fazendo esse vídeo (simples, não esperem uma superprodução) entendi que a Luísa, entre as milhares de lições que me passa diariamente, veio me ensinar a administrar melhor o meu tempo.

Não que o tempo vá deixar de correr, como dizemos, mas acho que venho aprendendo a conviver melhor com ele. Demorei mais de 30 anos (melhor escrever mais de 30 do que quase quarenta) para entender que não é o tempo que passa rápido, somos nós que o preenchemos – ou não preenchemos – com o que é importante.

Lógico que já dá uma melancolia e até uma “saudadezinha” quando vejo imagens dela ainda tão pequenina. Logo passa…

Percebi que hoje, graças à Luísa, o meu tempo vem sendo muito, mas muito bem aproveitado. Mantenho uma relação saudável com o relógio.

E você? O que anda fazendo com o seu tempo?

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Comentários

  1. oraida maria santos escandiussi disse:

    Parabéns Fabrício adorei o texto…e este coelhinho é inesquecível…bem ilustrado. Agora o vídeo…lindo…Amei

    1. Fabricio disse:

      🙂