Gestação do Coração

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Dia desses saí da aula de pilates e tinha uma marmita me esperando na cozinha da empresa onde trabalho.

A cozinha fica no terraço do prédio e ali existe uma área grande com mesas, cadeiras e uma vista para a Lagoa da Conceição, um dos cartões postais de Floripa. Algumas colegas que já tinham acabado de almoçar conversavam sobre como havia sido a gestação dos filhos.

– Eu senti muito enjoo.
– Eu adorei estar grávida, o que não gostei foi dos três primeiros meses depois do nascimento. – disse a outra.

Lembrei da “gestação” da Luísa. Uma “gestação” diferente. Não senti enjoos, não engordei, não tive manchas na pele e nem estrias, mas senti muita ansiedade.

Não é fácil. O processo de adoção é longo. Entrega-se a documentação e espera.

É isso.

Um ano depois um curso de dez horas realizado em duas etapas de cinco horas cada.

Tempos depois, uma visita técnica onde visitam sua casa e anotam quantos cômodos existem, quantos eletrodomésticos, se tem quintal e etc.

Depois de mais um ano uma visita da assistente social em nossa casa, seguida de três entrevistas no fórum: uma entrevista comigo, uma com o Fabrício e a última com nós dois juntos. Só depois disso tudo fomos habilitados e entramos no tão sonhado cadastro nacional de habilitação.

Imagina o turbilhão de sentimentos durante esses dois anos e meio. Durante muito tempo sentia muita ansiedade, pois tinha uma vontade louca de ser mãe.

Certa vez fui visitar um abrigo e conheci um menino de uns oito meses e, lógico, me apaixonei por ele. Queria adotá-lo de qualquer maneira. Cheguei a pedir ao Fabrício ir ao fórum pedir informações sobre ele. Mas ele não estava para adoção, a família ainda lutava na justiça para tê-lo de volta.

Eu sofria porque ficava fazendo historinhas na minha cabeça, criando expectativas. Resultado: vivia me frustrando. Amigos ficavam sabendo de alguma criança aqui da região que estavam em abrigos por algum motivo e nos ligavam pra saber se a queríamos. E eu criava mais “historinhas”, já pensava em como iria montar o quarto da criança, nas roupinhas que iria comprar…

Até que um dia resolvi parar de sofrer. Iria viver a vida sem criar expectativa alguma.

Decidi parar de brigar com Deus e deixar ele no comando (como se ele já não estivesse). Dali pra frente seria do jeito dele e na hora que ele quisesse, pois eu sabia que de um jeito ou de outro eu seria mãe.

Quando me pegava pensando no assunto me esforçava pra pensar em outra coisa.

Começou a dar certo.

Assim a vida seguiu sem sofrimento até o dia 13 de dezembro de 2013, o dia que a Luísa “nasceu” pra nossa família.

Um dos dias mais emocionantes da minha vida.

A você que está na espera pela chegada de seu filho digo que vale a pena cada minuto, cada angústia e cada frustração.

Esse encontro é muito lindo.

É o universo nos provando que Deus existe. Não sei se ele já foi de carne e osso, mas que existe, existe.

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Comentários

  1. […] a Gisele já contou por aqui, a gestação da Luísa durou dois anos e meio. Não foi fácil e confesso que foi uma tarefa hercúlea “esquecer” do assunto. Quantas e […]