Vamos debater a guarda compartilhada?

Transformar a dor em um estímulo para ajudar mais pessoas. Isso é o que vem fazendo o publicitário João Ricardo Costa, morador de Governador Celso Ramos (litoral de Santa Catarina) desde que começou criar as séries de animação abordando a temática da guarda compartilhada e alienação parental.

Vez ou outra sempre cito trabalhos de pessoas que acho que vem realizando ações em prol da adoção, paternidade e por nossas crianças. Já citei o trabalho dos amigos Wagner e Grazi Yamuto no Adoção Brasil e do querido Bruno Santiago no site Pai tem que que fazer de tudo.Desta vez a história é de um publicitário que vem fazendo um trabalho super bacana promovendo a reflexão sobre um tema muito doloroso: a guarda compartilhada.

João Ricardo Costa é autor de curtas metragens sobre “Isah”, e usa a própria história para chamar a atenção da importância da aplicação da lei da guarda compartilhada (assista acima).

O primeiro filme da série conta a história de uma menina que sofre – e sofre muito – por não conseguir entender o motivo de ter que ficar tanto tempo longe do seu pai. Diante disso, ela inventa seu próprio mundo imaginário, onde pode ver e brincar com o pai todas as vezes que sente saudades.

O curta fez sucesso nas redes sociais e foi selecionado para vários festivais no Brasil, Peru e Colômbia. Também fará parte de uma coletânea de curtas que será distribuída na rede ensino publica de vários estados, como Goiás. Costa se separou em 2012, quando a filha Isabelli, carinhosamente chamada de Isah) tinha apenas um ano e quatro meses de idade. Desde então, luta na Justiça para permancer mais tempo com ela.

“Vejo minha filha em finais de semana alternados já pedi a meação de férias e feriados especiais”, conta. “Peticionei em finais de anos em setembro antes do recesso forense. O fórum entra em recesso e não me respondem, entao faz dois anos que não peticionei mais. A gente se cansa sabe. A parte que tem a guarda, se não quer uma divisão de tempo, basta litigar que vai conseguir prolongar o imbróglio para além da maioridade da criança. Me sinto cansado, mas não desisto”.

Guarda compartilhada?

O publicitário diz que as visitas quinzenais são “insuficientes” e que diante dessa situação surgiu a ideia de escrever o livro Sonhos de Isah, como forma de apoiar a questão da guarda compartilhada. “A guarda compartilhada virou lei em 2014, (nº 13058), mas a falta de empatia do Judiciário em aplicar a lei, inviabiliza a igualdade na criação dos filhos de pais separados”, afirma. “Escrevi o livro Sonhos da Isah que conta a historia de uma menina que impedida de conviver com o pai se encontra com ele nos seus sonhos e as aventuras dos dois duram até a manhã do dia seguinte. Sonhos da Luisah ou Isah, que é como chamo minha filha Isabelli”.

Do livro publicado em forma de auto-publicação independente e em plataformas digitais como Amazon, Costa teve a idéia de produzir o curta em animação. Reuniu amigos que auxiliaram na produção, conseguiu ajuda e partiu para uma campanha de financiamento coletivo. Estava pronto o primeiro curta, finalizado em 2016. “Me juntei a uma equipe de colaboradores que auxiliou na produção como voluntários alguns cobraram muito pouco 20% do preço de mercado outros nem isso, todos encamparam a bandeira da igualdade parental. Finalizamos o curta em agosto de 2016, lançando em festivais educativos não só no Brasil como em outros países”.

O segundo curta, “Isah na Dinamarca”, conta a aventura da menina e seu pai no país europeu, sinônimo de igualdade e de indicadores de felicidade (vide O Segredo da Dinamarca) onde a guarda compartilhada é uma realidade desde a década de 1990.

O terceiro está a caminho e a campanha de financiamento coletivo já está no ar. “Estamos lançando uma campanha na internet, no site de financiamento coletivo Catarse, com a intenção de arrecadar recursos para a produção do terceiro episódio, cuja história já está pronta: desta vez, Isah e seu pai irão viajar pelo tempo e rever as mudanças nas leis brasileiras de família, afirma Costa. “Iremos juntos com a Isah aos anos 1950, quando a guarda dos filhos era exclusividade dos pais, passaremos pelos anos seguintes, quando a guarda passou a ser uma exclusividade feminina, até os dias de hoje”.

Apesar da dor da distância da pequena Isabelli, João Ricardo vem conseguindo ampliar o debate sobre a questão da guarda compartilhada ao mostrar todos os lados de uma separação. “Minha filha vai saber o tanto que lutei para estar um pouquinho mais de tempo ao lado dela”, diz.

Se você quiser contribuir com a produção do terceiro episódio da série, basta acessar a plataforma do Catarse aqui neste link.

Se não puder ajudar financeiramente, não se preocupe. Há outras formas de ajudar o projeto. Uma delas é essa ideia ou o link para financiamento coletivo em suas redes sociais e junto a amigos. Assim quem sabe podemos levar os  “Sonhos de Isah” – e de João Ricardo – ainda mais longe.

 

 

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