Meu Querido Papai Noel

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Espero que tudo esteja bem aí no Pólo Norte.

Meu nome é Fabrício, o senhor deve se lembrar de mim. Moro em Florianópolis, aqui no sul do Brasil. Em 2013, prometi que nunca mais iria lhe pedir nada no Natal.

Não queria mais nenhum presente, nem recordação, nem nada. Entendi que havia extrapolado minha cota.

Naquele ano, o senhor me trouxe o maior presente que uma pessoa poderia ganhar na vida: uma filha. A pequenina Luísa, de olhos negros esbugalhados e cabelos espetados chegou em nossa casa bem no dia que minha sogra montava a árvore de Natal para esperá-lo.

Foi um Natal para não ter qualquer dúvida de que o senhor existe.

Sempre penso que devo ter sido um menino muito bom para merecer tudo isso.

Por isso o agradeci tanto e prometi que não iria lhe pedir mais nada. O presente que ganhei há dois anos nos faz tão bem e nos traz tantas alegrias até hoje que eu fico envergonhado de colocar mais uma meia na árvore, sabe? De repente, algum duende pode achar que estou querendo demais, que sou muito pidoncho ou sei lá o que mais.

O fato, sr. Papai Noel, é que este ano vou ter que quebrar minha promessa. Queria pedir mais umas coisinhas. Mas não é para mim, é para a Luísa, o bebê que chegou aqui com os olhos de jaboticaba esbugalhados e cabelos espetados e que agora os cabelos estão cacheados só que os olhos continuam esbugalhados. Ela cresceu, já está correndo por todos os lados e é um bebê super saudável. Não pára quieta e adora sorrir. A cada sorriso dela sempre volto a agradecê-lo, senhor Papai Noel.

Pois então, quem tem filhos passa a ter outras preocupações (o senhor deve saber bem disso). Queria pedir apenas um 2016 com um mundo um pouco melhor para nossa menina.

Um mundo onde a cor da pele e a preferência sexual não sejam motivos para discriminação ou raiva.

Que a escolha religiosa de cada um não seja justificativa para guerras, mortes e torturas. Afinal se toda religião prega o amor, por que usá-la para causar tanta dor aos outros?

Que a (má) escolha política de cada um também não se transforme em motivo para mais e mais atos de intolerância e disseminação de ódio.

Que o senhor traga um pouco de seriedade ao pessoal do Congresso e do Planalto em Brasília. Segundo a lenda, eles foram escolhidos para representar o povo, mas nunca o fazem.

Que nosso planeta tenha mais verde do que concreto.

Que o sorriso apareça mais do que as ofensas.

Que a educação vença a intolerância e o ódio.

Que o normal seja vermos atos de gentileza e não grosserias.

Que o mundo seja um pouco mais engraçado e menos enfadonho.

Enfim, sabe como é ser pai. A gente tenta buscar o melhor para nossos filhos. E quebrei a minha promessa ao voltar a lhe pedir presentes de Natal. Pode parecer muita coisa senhor Noel, mas todos esses meus desejos são resumidos em apenas um:

Que a minha filha Luísa encontre um mundo onde as pessoas tenham mais valor do que as coisas.

 

Atenciosamente,
Papai

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