Nós, a primeira noite e os gatos

gatos

 

E finalmente aconteceu. Luísa chegou em casa para sua primeira noite com a nova família.

Era tarde da noite quando chegamos depois de toda a canseira do bebê conforto e de um trânsito infernal daqueles de final de ano em Florianópolis (toda a saga do pré natal de três dias pode ser conferida neste link).

A família (ou parte dela) já nos esperava: bisavó, vovó, cachorra e nossos seis gatos.

Além de todo o tumulto dos últimos dias, ainda havia uma questão que me despertava uma pontinha de receio: a reação dos felinos quando o bebê atravessasse o portão da casa.

Quem tem gato em casa sabe como o bicho é sistemático, com mais TOCs do que o Rafael Nadal. Uma coisa fora do lugar é motivo para sustos e uma visita faz com que o bichano fique horas escondido debaixo da cama.

E o que aconteceria com a chegada de uma criança, assim, em um estalo? Gisele sempre falou que quando engravidasse colocaria uma boneca na casa para que os gatos acostumassem com um bebê. Tivemos só três dias para avisá-los da chegada da “irmã”.

E aqui não era apenas um gato que precisava se acostumar com a idéia. Era meia dúzia. Seis felinos, cada um com uma personalidade diferente e com uma maneira peculiar para lidar com as novidades. Para se ter uma idéia, havíamos mudado de casa seis meses antes e a reação foi completamente diversa. Três deles (Alemão, Pretinha e Zé) passaram a explorar e cheirar tudo. Uma (a Jujuba) só saía de um esconderijo durante a madrugada, e outros dois (Aninha e Carvão) se esconderam por uma semana, um debaixo da cama e outro debaixo do sofá.

Havia um ser minúsculo e estranho em casa e que berrava de três em três horas. Os gatos deviam pensar: o que seria aquilo?

Os gatinhos cheiraram todo o carrinho de bebê, olhavam vez ou outra o que havia dentro e, ao primeiro sinal de movimento ou choro da Luísa, se escafediam para os quartos do andar de cima. Tempos depois, começaram a subir nos carrinhos de bebê. Era virarmos as costas e um deles aparecia onde não devia.

A primeira a se aproximar foi a Pretinha, e isso somente depois de alguns meses. Até hoje é a que mais pede carinho da pequena. O que a Luísa parece mais gostar é o Alemão, que ainda tem pânico quando ela vai em sua direção, normalmente berrando e querendo pegá-lo.

Para os demais, há uma certa indiferença, aquela típica dos felinos: vez ou outra aceitam carinho, mas raramente se aproximam.

Apresentações feitas, começava uma nova fase. Agora sim, de verdade, a nossa vida definitivamente havia dado uma volta de 360 graus. 

A primeira noite de uma criança recém nascida em casa é muito esquisita. Para começar, não parece ser uma noite. A gente emenda com o dia seguinte, sem pregar o olho, numa mistura maluca de alegria, medo, euforia, desespero, orgulho, preocupação e, claro, muito sono.

Passamos a primeira noite com Luísa ao lado da cama, dormindo no carrinho de bebê emprestado pelo abrigo. Não pregamos os olhos e levantamos umas 154 vezes (cada um) para verificar se os gatos haviam pulado ali ou se o bebê estava respirando. Cada mexida, um de nós levantava para ver como ela estava.

_Que barulho é esse que ela está fazendo?

_Ela acordou?

_Será que está com frio?

_Será que está com calor?

Uma semana antes a gente estava em um pub e agora, em meio a fraldas, arrotos e mamadeiras. E a Gisele ainda estava assustada com a minha reação. Não demonstrava a mesma euforia que ela.

Tal como os gatos, tinha hora que a vontade era a de me esconder debaixo da cama ou do sofá.

A verdade é que eu estava muito feliz. Mas também estava com medo.

 

 

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Comentários

  1. oraida maria santos escandiussi disse:

    Muito, muito ótimo…

  2. Anapaula Ziglio disse:

    Fabricio, eu senti a mesma coisa que vc quando cheguei em casa com meu bebê, o Pedro. Queria me esconder, mas não podia, porque tinha que dar de mamar…. Loucura! Minha mãe acabou me ensinando o que era ser mãe, aos poucos, com muita boa vontade. Pra vc ver que não importa se o filho e de coração ou biológico, a reação e sempre a mesma. Lindo blog! Estou adorando! Quem sabe não vira um livro meu caro colega? Abraços e bjs na Luisa!!!