Nosso primeiro espetáculo

 

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Nunca fui um dos maiores fãs da tal dupla Patati Patatá… Cada vez que eles apareciam na televisão com aquelas musiquinhas que grudam e ficam martelando na cabeça por horas a fio, uns calafrios me corriam pelo corpo…

Por mais que eu conhecesse palhaços como Arrelia, Atchim, Espirro e Bozo, a imagem de Pennywise do filme de terror It é que surgia. Isso já me deixava com um pé atrás. Também ouvi e li muitas críticas – algumas pesadas até – ao programa deles no SBT e, acho que por isso, criei e mantive certo preconceito.

Por sorte,  Luísa nunca demonstrou a mesma aversão a palhaços do que o papai aqui. Sempre que os dois aparecem cantando em videoclipes nos intervalos do Discovery Kids, a pequena paralisa e fica diante da TV. No começo fiquei meio incomodado mas, vendo a alegria dela diante dos palhaços tupiniquins, passei a aceitar.

Neste final de semana, ganhamos ingressos de uma amiga para assistir a um espetáculo da dupla. Era a primeira experiência de Luísa no teatro e tanto eu quanto mamãe estávamos bastante apreensivos. Um dia antes a pequena havia se assustado com uma inofensiva Galinha Pintadinha em um shopping, o que dirá o estrago que dois palhaços cantantes poderiam fazer, pensei… Tínhamos até combinado uma estratégia, um plano de fuga, caso precisássemos sair do teatro no meio da apresentação.

Patati e Patatá, na minha opinião e de muitos pais pelo Brasil afora, são uma versão infantil do Milton Neves, o rei do merchã.  E por isso, chegava a ter mais medo deles do que do próprio Pennywise. Logo de início, um bastão cheio de luzes com um palhacinho na ponta era vendido a dez reais. Desses, que você compra por dez reais a dúzia em qualquer camelô… Show, já estavámos ali e não pagamos por estacionamento, então tava valendo.

Luísa adorou o brinquedinho, andou e brincou pelo teatro antes do show. Assim que as luzes se apagaram e os primeiros movimentos começaram na cortina, apreensão… Respirou fundo (eu e mamãe também), correu para o colo da Gisele que, esperta, lhe deu a segurança do dia a dia: a chupeta.

Patati e Patatá entraram no palco. Começam as músicas e danças. A pequena não desceu do colo da mamãe, mas tampouco desgrudou os olhos do palco. Aos poucos foi se soltando, levantou mãozinhas quando pediram, gritou e sorriu…

– Alguém aqui tem o DVD do Patati Patatá?

E o show continuava. Mais músicas, risadas, entram bonecos gigantes e a Luísa lá, encantada. Mamãe e papai babando e emocionados em ver a reação da pequena.

– Vocês tem o boneco do Patati Patatá?

Ao final, eu estava carregando a Luísa debaixo do palco e ela mandando beijo e dando tchau para o Patatá. Venci minha aversão a palhaços, Luísa estreou com louvor em seu primeiro show.

A gente encontra merchã em tudo. Na novela, no jogo de futebol, no BBB, no Masterchef e é claro, nos programas infantis. A marca Patati Patatá fatura mais de R$ 250 milhões ao ano entre shows e produtos licenciados. Business. Lógico que nós pais temos que ficar atentos ao conteúdo e mensagens expostas aos nossos filhos. Mas condená-los por isso? Acho que não. Minha ressalva fica para o preço salgado da apresentação (de todo evento relacionado ao público infantil aliás), mas isso fica para o próximo post.

O que Patati e Patatá fizeram foi transformar a palhaçada e o riso em um negócio sério. Exatamente o contrário do que muitos fazem lá  em Brasília, que é transformar algo sério em um circo.

Acabou o show e Luísa olhava inconformada para o palco. Com a palma da mão aberta, gesticulava querendo dizer: cadê? Onde estão?

Aí você passa a ter mais um lindo momento para guardar na memória. O momento do primeiro espetáculo que assistimos em companhia da Luísa. E passa a olhar com outros olhos pro tal do Patati Patatá. Um olhar de agradecimento por ter nos proporcionado essa emoção.

 

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Comentários

  1. Fernanda disse:

    Luisa estava muito fofa e animada com o Patati Patatá. Bernardo também adorou a apresentação e nós, pais, nos divertimos muito quanto eles.