Opinião SOS Pediatrias

Vergonhosa a situação de Santa Catarina em relação à queda do número de leitos pediátricos. Queda de 34% em número de leitos públicos, desempenho que coloca o estado atrás apenas de Sergipe (-45%) no pódio junto com Roraima (-28%). Não sei nem o que escrever, o que lamentar, a quem cobrar….

Alías, vergonhosa não é a situação apenas de Santa Catarina. Falei daqui por que é onde moro, onde acompanho um pouco mais da realidade. Vergonhosa é a situação de Sergipe, de Roraima, de Alagoas, do Paraná, Paraíba, do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e do Distrito Federal. Só para citar os dez primeiros estados da “lista”.

Vergonha é o Brasil como um todo, com uma queda de 19%, Ou seja, dez mil leitos a menos para as crianças.

Ressalva feita apenas a dois estados (DOIS) entre todos os 27 da federação: Amazonas e Amapá foram os ÚNICOS onde há aumento do número de leitos pediátricos entre 2010 e 2016.

O fato é que quando o problema atinge os frigoríficos (grandes anunciantes e financiadores de campanhas eleitorais) há uma chiadeira geral na mídia e na classe política. Assisti a reportagens e mais reportagens explicando como é a produção e higienização nas fábricas, na quantidade de postos de trabalhos que a operação iria fechar. Vi, estarrecido, colunista – analista político criticando a ação da Polícia Federal na operação Carne Fraca, reclamando dos riscos que a ação traria à economia catarinense, nacional e falando sobre quanto desemprego isso iria custar.

E agora?

Quem vem defender a saúde pública? Quem vem defender a saúde de recém-nascidos ou de crianças menores de dez, doze anos?

E não é dizer que a responsabilidade é do governo federal, estadual ou municipal. Não importa de quem seja: quem está ali, eleito, tem a responsabilidade de não permitir o fechamento de um leito pediatrico sequer. O que dirá deixar que mais de 500 deixem de existir, em apenas seis anos, como aconteceu aqui.

Lembro de ter que correr com Luísa durante uma madrugada no Hospital Infantil. Foi apenas uma vez. Felizmente, a nossa pequena é uma garota que não visitou emergências devido a problemas de saúde nestes primeiros anos de vida. Mas fico pensando na agonia de papais e mamães país afora.

E me revolta ver um país que parece andar para trás, parar no tempo, Um país onde você terá que trabalhar até os 273 anos de idade para poder se aposentar. Isso se não for terceirizado ou pejotizado. Um país onde as redes sociais são usadas para debater – e dividir em castas – quem é coxinha e quem é amante de pão com mortadela. Onde tanto se fala e até se sai às ruas para defender um juiz que está fazendo o trabalho para o qual é pago – e bem pago.

Ah, e isso se chegar aos dez anos de idade sem precisar de atendimento pediátrico.

Fabricio Escandiuzzi