O primeiro banho

 

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A primeira troca de fralda a gente nunca esquece…

 

Pura emoção ver aquela carinha de olhos grandes e esbugalhados e cabelos arrepiados depois de tanto tempo de gestação.

Impossível segurar as lágrimas.

A psicóloga do abrigo o tempo todo na porta do quarto nos observando.

De repente ela solta:

– É hora da Luísa tomar banho. Mamãe quer dar banho nela?

Oiii??? Nunca dei banho em bebê, não sei nem por onde começar.

– Fica tranquila, a cuidadora te auxilia.

Comecei tirando a roupinha da Luísa e logo ela estava dentro da pia com água quentinha. Enquanto dava banho ia conversando, dizendo o quanto era linda e que a partir dali eu cuidaria dela com muito amor. Ela prestava atenção em tudo o que eu dizia.

Fabrício assistia a tudo assustado, mas também fotografava o momento. E a psicóloga de olho em tudo o que fazíamos. Foi o primeiro banho, a primeira troca de fralda, tudo com o auxílio da cuidadora. Me saí muito bem.

Nascia ali a mamãe Gisele.

Acabando o banho a psicóloga contou que sempre recomendava para os papais, no primeiro contato com a criança, que conversassem com eles olhando nos olhos, mas que comigo não foi preciso intervir, automaticamente comecei a tagarelar com a Luísa como se a conhecesse há tempos.  Altos papos recheados de amor. Ela parecia entender tudo o que eu dizia.

Luísa não pôde ir pra casa no mesmo dia conosco, precisávamos do documento da guarda provisória para poder levá-la.

Estranho “parir” um bebê e ir embora sem ele.

Era uma terça-feira, ainda precisava voltar ao trabalho e dizer à minha chefe que entraria em licença maternidade.

No caminho liguei para várias pessoas contando a novidade. Que loucura! Agora eu era mãe!!!

No mesmo dia ganhei algumas roupinhas. Muita gente conhecida se mobilizou e emprestou ou doou várias coisas para a Lu.

Tanto carinho de onde eu nem esperava.

Meu telefone tocou a noite toda. Eu e o papai Fabrício só conseguimos jantar lá pelas 11 da noite. Saímos pra comer uma pizza com alguns amigos pra comemorar.

Gente, eu sou mãe!!! Acreditam? Eu não acreditava. Pedia para me beliscarem o tempo todo.

A princípio a guarda provisória ficaria pronta na sexta-feira ou no mais tardar segunda. Enquanto isso eu tinha que trabalhar normalmente, deixar tudo redondinho pois ficaria cinco meses fora da empresa. Ao mesmo tempo pensava em tudo que precisava providenciar pra chegada de nossa filha.

Até que o documento ficasse pronto saía mais cedo do trabalho e passava algum tempo curtindo a Luísa . No abrigo, esperavam que eu chegasse para dar banho nela. Já estava craque em dar banho e trocar fraldas.

Na quarta-feira chegariam minha mãe e avó para passar as festas de fim de ano conosco. Luísa “nasceu” na terça e elas chegariam no dia seguinte. Coincidência??? Não acredito em coincidência.

A agonia seguiu até sexta à tardinha quando o Fabrício me ligou perguntando se eu já estava saindo do trabalho para ir ficar com a Lu no abrigo um pouquinho. Foi quando ele disse:

– Você não vai para o abrigo não. Segue ao fórum pra assinarmos a documentação e irmos buscar nossa filha. Te encontro lá.

Meu Deus! Chegou a hora!!!

Tinha que chegar ao fórum até as 18 horas e já eram 5 e pouco. O trânsito neste horário aqui em Floripa é caótico principalmente às sextas-feiras.  Acreditem ou não cheguei ao fórum com menos de meia hora. O caminho que escolhi foi perfeito, tranquilo, não havia carros, parecia feriado. Acho que tive muita ajuda lá de cima pra chegar tão rápido.

No abrigo Luísa nos esperava com um bodyzinho comprado pelas cuidadoras e uma faixa com lacinho na cabeça que foi retirado de uma boneca (risos!). Foi um chororô entre as cuidadoras na despedida da Luísa. Mesmo com poucos dias na casa lar, elas se afeiçoaram à pequena.

Começava ali uma nova vida pra Luísa e para nós. Uma vida de muito amor, muito carinho, dedicação e principalmente muito respeito.

Pegamos um intenso trânsito até chegarmos em casa. Luísa ficou quietinha em todo o trajeto, mas ainda tinha uma carinha apreensiva, como se estivesse ansiosa com o que estava por vir. Já tinha passado por tanta coisa em tão pouco tempo de vida, era normal que estivesse assustada.

Abro a porta de casa carregando o bebê conforto com a Lu e me deparo com minha mãe montando uma imensa árvore de natal num canto da sala.

As lágrimas escorreram… Tínhamos comprado a casa há 6 meses. Era nosso primeiro natal na casa nova. Uma linda árvore montada com capricho e amor pela minha mãe e um bebê tão esperado nos braços.

Tudo como eu sempre sonhei.

E esses adultos bobos inventam historinhas tolas dizendo que Papai Noel não existe. Vê se pode!

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