Pai em tempo integral: lá se vão três anos

Paternidade ativa

Lembrei que há exatos três anos me tornei pai em tempo integral. Como o tempo passa rápido. Em um dia, estava com medo de dar banho sozinho na Luísa pela primeira vez depois que a mamãe voltou ao trabalho. No outro, estamos passeando na rua e conversando sobre Lady Bug, ballet, rainhas e princesas.

Gisele retornou ao trabalho após a licença maternidade e um período de trinta dias de férias. O combinado era que eu ficaria com Luísa por algum tempo, mas não esperava que tudo fosse acontecer assim. Não me imaginava pai e muito menos um pai tão presente. Tinha medo de dar banho, de sair sozinho com ela aqui ou ali, de trocar fraldas.

E de repente, se passaram três anos. Tanto tempo. Tão rápido. E o que mudou na minha vida?

Tudo.

Aprendi tanta coisa nesse tempo. Aprendi que não podemos controlar tudo. Aprendi como é importante ter uma roupa reserva na mochila. Que o tempo está a nosso favor se soubermos aproveitá-lo bem. Que meia hora de conversa com uma criança podem te valer o dia – tem muita sabedoria ali. Aprendi que a febre piora ao anoitecer. Que uma dor em seu filho é mil vezes maior em você. Mas muito maior mesmo. 

Poderia enumerar trocentas coisas que aprendi nestes três anos e que não canso de repetir. Foram anos intensos. Muita coisa mudou, não só em relação à minha vida pessoal, mas também em relação à minha profissão. Tomei rumos surpreendentes, errei ali, acertei aqui e vou caminhando, construindo, reconstruindo e – por que não? – redescobrindo.

Tem muita coisa desses anos que passaram que não voltam mais. O tempo é cruel com quem não sabe aproveitá-lo. Precisei aprender isso na marra.

Ri muito nestes três anos. Fiquei alegre. Fiquei triste. Chorei demais também. Rolei pelo chão, fiz caretas, gritei, dei gargalhadas, assisti desenhos, me escondi, brinquei de restaurante, creche, feira e de posto de gasolina. Passeei na rua, olhei as borboletas, conversei e dei nome a todos os cães e pássaros do bairro. Desenhei. Colori. Fiz bichinhos de cartolina. Colhi acerolas, amoras e pitangas. Me escondi da mamãe cada vez que ela chegava do trabalho. Trabalhei. Fiz comida. Acertei. Errei.


Sei fazer rabo de cavalo e trança. Mas ainda não aprendi pintar a unha com esmalte.

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