Como foi passar por um parto do coração

 

Bate-coração (1)44

 

Nem cesárea, nem parto normal e nem parto humanizado.

O nosso foi parto do coração.

Foi uma gestação de 2 anos e seis meses e em um belo dia o Fabrício recebeu uma ligação da assistente social dizendo que tínhamos sido habilitados e estávamos na fila da adoção.

Era uma quinta-feira, início de dezembro, e a assistente marcou uma conversa pra próxima terça para assinarmos a citação da habilitação.

– Gi, aí tem. A Maria Eduarda querendo conversar com nós dois juntos. Sei não…  – disse Fabrício.

E eu que, a essa altura já tinha aprendido a não criar expectativas, prontamente respondi:

– Não viaja, Fá. Vamos lá assinar a habilitação e no máximo ela vai explicar como será o processo daqui pra frente.

Não tocamos mais no assunto até terça-feira.

No “grande dia”, acordei cedo como de costume, tomei banho, café da manhã e fui trabalhar.

Combinei com o Fá que o encontraria no Giba (querido Giba!) onde corta o cabelo para almoçarmos e seguirmos para o Fórum.

Fizemos o combinado.

Chegando lá encontramos com a Maria Eduarda, a assistente social que tinha feito todo o processo de adoção até então (entrevistas, visitas em casa e etc), e ela disse que quem conversaria conosco seria a Adriana.

Adriana nos levou até sua sala, sentamos e ela começou:

– Enviamos uma intimação para vocês pelo correio há mais de um mês informando da habilitação (por algum motivo não a recebemos). E  nesse meio tempo surgiu uma criança.

Emudeci.

Neste momento sinto um líquido quente escorrendo pelas minhas pernas. A bolsa estourou!!!

Misto de emoções.

Não conseguia mais falar. Só ouvir.

– Tá tudo bem, Gisele? Quer um copo d’água?

– Não. Pode prosseguir.

A assistente contou um pouquinho da história do bebê e perguntou se queríamos ir pra casa pensar se aceitaríamos a criança.

Oi???

– Não temos o que pensar, se você nos chamou aqui é porque Deus nos escolheu pra ser pais desta criança. Concorda, Fabrício?

– Sim, não temos o que pensar.

– Querem ver uma foto da Luísa?

Senti a primeira contração. Que sensação deliciosa!

– Então vamos lá em cima assinar a papelada e depois vocês vão ao abrigo conhecer a Luísa.

Papelada assinada seguimos para o abrigo cada um em seu carro.

E as contrações cada vez menos espaçadas e mais intensas.

Fomos recepcionados pela coordenadora do local, Catarina, que nos encaminhou a “sala de parto”. Já estava com dez dedos de dilatação.

Andamos por um corredor e entramos na primeira porta à direita, era uma salinha de brinquedos, passamos pela sala com os trocadores e pia de banho e paramos na porta do quarto, onde haviam uns oito berços e uma cuidadora sentada perto da janela.
Catarina nos olhou e disse:

_ Entrem, vão lá e encontrem sua filha.

Dei alguns passos olhando berço por berço e só havia um bebezinho no último berço. Era ela.

Meu coração se abriu e dei a luz a uma pequena menina de olhos grandes e cabelos arrepiados.

Nasceu Luísa Prado Escandiussi.

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Comentários

  1. Adriana disse:

    Lendo seu texto. Chorei de emoção e apenas reforcei a minha decisão! Ah e meu coração quase parou de bater quando sua bolsa estorou rsrsrs

    1. Fabrício Escandiuzzi disse:

      Obrigado Adriana.. Vai ver que é a melhor decisão que toma na vida.. Boa semana

  2. Ivana disse:

    Me arrepiou! Que lindo!! Obrigada por escrever com tanta doçura e emoção…

    1. Fabrício Escandiuzzi disse:

      Obrigado por ler o blog Ivana.. A Gisele tá mandando muito bem nos textos.. Grande beijo e boa semana

  3. Gisele disse:

    O meu também quase parou de bater, Adriana. De tanta emoção. Beijos e ótimo domingo

  4. Gisele disse:

    Obrigada você, Ivana, por acompanhar a nossa história. Beijos

  5. Amanda disse:

    Adorou o blog! Estou tentando engravidar há alguns anos, e já passei por diversos médicos e até mesmo pela FIV e meu marido já operou de varicocele, enfim muita coisa. Sempre tive um sonho de adotar, ma meu marido desconversa, e achei lindo o blog e enviei para ele ler. E estou tão chateada e triste que mesmo passando por tudo não maltrato ninguém, e me senti a pior pessoa, pois a irmã do meu marido está grávida, e até agora não nos contou, e sai correndo e se escondendo de mim. Fiquei 15 dias de férias chorando, e me achando a pior pessoa e acreditando que eu era invejosa, e depois que desabafei com algumas pessoas percebi que não sou ruim. Quero que Deus ilumine a família dela, mas quero ficar longe. Tanto que o desprezo foi tanto que estou com refluxo, colesterol alto e ontem comecei com dores na barriga e fazendo xixi com sangue, eu estava melhor, mas meu marido está triste com a família dele, e isso acabou voltando, e os sintomas em mim também. Lendo o blog foi o incentivo para ir no fórum, e saber quais são os procedimentos para a adoção, mas não queria que fosse na minha cidade, e tem como ser em outra? Parabéns pelo Blog e abraços!!

    1. Fabrício Escandiuzzi disse:

      Oi Amanda.. Que bom que gostou do blog.. Fico muito feliz em ver que está nos acompanhando.. Pode dar entrada em outra comarca sim, pelo que entendi.. Ou entrar em sua comarca é pedir que a criança seja de outra localidade. Vale a pena esperar, vale cada segundo.. Se eu puder ajudar de alguma forma, pode contar..
      Grande beijo é obrigado..