Por um mundo mais gentil

 

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Fiz um desabafo na página do Diário do Papai pelo Facebook e, confesso, não esperava tamanha reação.

Era um simples passeio de ônibus que eu vinha prometendo há algum tempo para a Luísa. E que acabou com um certo constrangimento, como muitos já sabem. O “latão” estava lotado e o cobrador disse que não poderia seguir viagem se eu e Luísa ficássemos em pé. Ninguém se mexeu – ou melhor: quase ninguém. (VEJA AQUI)

A postagem, como uma fotografia nossa, rendeu centenas de curtidas e vários compartilhamentos.E me levou a refletir sobre os pequenos gestos que mantemos no dia a dia e que influenciam diretamente na vida de nossos filhos.

Lembrei que outro dia desses, em um cruzamento aqui perto de casa, buzinei e dei sinal para que um motociclista pudesse passar antes de mim. Luísa, em sua cadeirinha, murmurou algo parecido com um xingamento, sacudiu as mãos e finalizou com um “ôôôô”. Me arrepiei pensando nisso esses dias. Ela guardou em sua memória alguma oportunidade em que fui mal educado no trânsito e xinguei alguém (acontece, sou humano e cheio de imperfeições).

Ai lembrei de varias impaciências, reclamações, atos e lapsos que cometo no dia a dia.

E fiquei com vergonha.

Não me senti e não sou melhor do que qualquer uma das pessoas que estavam naquele ônibus. A indelicadeza delas foi marcante, mas não irá refletir na educação da Luísa. Ela não guardou na memória que nenhuma pessoa se leventou para que sentássemos. Ela guardou e lembrou da minha impaciência e falta de educação no trânsito (só para dar um exemplo).

Como sou capaz de pedir e exigir um mundo mais gentil para minha filha se eu acabo agindo com intolerância? Quem sou eu para exigir boa educação dos outros se não dou o exemplo?

Um mundo melhor deve ser construído por cada um. Tijolinho por tijolinho. O meu tijolinho é justamente a educação que dou à Luísa. E se eu não cuido disso com muita atenção, não vou estar fazendo a minha parte.

Sempre a pequena Luísa me fazendo mudar. Mudou meus hábitos e rotinas alimentares, mudou a maneira com que passei a trabalhar, mudou o valor que dou às coisas. E agora, está mudando a forma com que passo a tratar o mundo e tudo ao meu redor. Obrigado, minha filha.

Decidi criar algumas regrinhas para aproveitar o dia. Tenho passado isso a ela como uma maneira de evoluirmos. Creio que dando valor às pequenas coisas, não iremos perder tempo com bobagens no trânsito e nem nos incomodarmos tanto com certas coisas materiais.

Por isso, quando você se levantar, tente fazer algo parecido com isso.

Dar bom dia ao sol.
Conversar com as flores e plantas do jardim.
Cumprimentar e sorrir para as pessoas na rua.
Tratar bem quem te trata bem. Tratar muito bem que te trata mal.
Responder a uma indelicadeza com um olhar.
Parar tudo o que está fazendo para tomar um café por uns quinze minutos (no caso da Lu, um suco de uva).
Ver as qualidades das pessoas. E elogiá-las.
Dizer às pessoas que você ama o quanto elas são especiais.
Sentir saudade.
Deixar o vento bater em seu rosto.
Olhar para as estrelas para procurar pelo Pequeno Príncípe. Ou pelas pessoas e animais queridos que já se foram.
Sorrir para a lua.

É um exercício diário. E não significa que não cometerei nenhum deslize daqui para frente. Estamos todos suscetíveis a isso. Também garanto que fazendo esses gestos os seus problemas não vão desaparecer. Não é essa a intenção. O que tento passar para minha filha é que um mundo pode ser mais gentil somente a partir de nós mesmos. E se a gente sorrir mais e ter um pouquinho mais de amor na alma, estaremos sim, construindo um mundo melhor.

Essa é a contribuição que estou dando. É o meu tijolinho.

 

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