Preciso de um dia de 48 horas

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Conforme o tempo vai passando (e como ele passa rápido), Luísa vai crescendo e se transformando em uma criança cada vez mais ativa. Anda pela casa, corre no jardim, quer jogar futebol com as crianças maiores na rua e pede para brincar na piscina de bolinhas que montamos no quarto.

Já não são raros os dias em que a soneca da tarde é deixada de lado. E vejo que está cada vez mais difícil conciliar as coisas por aqui. Tento manter a rotina, fazer com que ela fique mais quietinha após o almoço mas, muitas vezes, o sono simplesmente não vem.

Com muito trabalho acumulado (mas muito mesmo), um dia desses precisava fazer com que ela dormisse de qualquer maneira. Gisele queria aproveitar o final de semana para dar um “jeito” na casa, limpar aqui, limpar ali, colocar roupas para lavar, estender tudo no varal, colocar mais, estender de novo, passar o aspirador de pó no quarto da Luísa, no nosso, depois na escada, passar pano, etc, etc e etc…Também tínhamos que ir ao supermercado, fazer almoço e lavar louças.

Ah, nesse meio tempo, ainda era preciso arrumar espaço para concluir duas matérias que eu havia começado.

A “tática” era cansa-la para que pudéssemos concluir todos os afazeres. Logo pela manhã, fomos ao supermercado, passamos por um parquinho e voltamos para casa para fazer o almoço. Brincamos e depois ainda fui “convidado” a pegar o bebê e passear na rua enquanto mamãe trabalhava aqui em casa. Ficamos brincando em um monte de pedra brita por um bom tempo.

Voltamos e fomos almoçar.

E a Luísa acordada.

Demos banho, lavamos cabelo e colocamos a pequena para assistir desenhos.

E ela permanecia acordada.

Fomos para o jardim, brincamos com bola, corremos com os gatos. Luísa carregou os prendedores de roupa pelo quintal afora. Rolou na grama, passeou na rua de novo e foi na casa dos vizinhos.

E continuou acordada. E o tempo passando.

Já estávamos no meio da tarde quando finalmente Luísa foi para o bercinho e se ajeitou para dormir. Tomou suco, como sempre faz, e ficou quietinha até pegar no sono.

A mulher “biônica” chamada Gisele, a esta altura, já estava lavando o lado de fora da casa depois de fazer uma faxina completa por todos os cômodos. Estava angustiado para terminar dois textos e ainda precisava correr com algumas coisas em casa. Troquei a areia da caixinha sanitária dos gatinhos, arrumei o lixo lá fora, lavei o restinho de louça, coloquei os ingredientes na máquina de pão e fui tomar um banho. Nesse meio tempo tive um “estalo”: vi que havia encontrado o final dos meus textos.

Finalmente terminaria o trabalho. Passei um café bem forte, liguei o computador e sentei para escrever. Suspirei. Antes que desse o primeiro gole na minha cafeína, vejo uma pequena criatura de 79 centímetros em pé no berço:

_ Papai…. Pai!

E os textos tiveram que ficar para depois…

 

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