Será? Talvez!

 

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Por Gisele Prado Escandiussi

Será? Talvez!

Dia desses (na verdade já faz um tempinho, Luísa ainda era bebezinho de colo) assisti ao filme Philomena, que narra a história de uma mulher que tenta encontrar o filho arrancado de seus braços por uma instituição católica na Irlanda.

O filme se passa em 1952 e é baseado numa história real: Philomena Lee, ainda adolescente, engravidou após uma aventura amorosa e, considerada uma “mulher indigna” por sua família conservadora e católica na Irlanda, foi mandada para o convento de Roscrea, onde deu à luz um menino.

Pra saber o restante da história vale a pena assistir o filme. Philomena é interpretada por Judi Dench que dá um show de interpretação.

Bom… Este filme me trouxe várias indagações: Será que a mãe biológica (não gosto de chamá-la assim, afinal mãe é quem cria, dá amor e etc, essa pessoa só emprestou a barriga para a Luísa se desenvolver, prefiro denominá-la como a “pessoa” que gerou minha filha) pensa na Luísa? Será que ela lembra de sua existência? Será que ela se arrependeu de deixá-la no hospital para adoção? Será que ela procurou o fórum desesperada querendo voltar atrás de sua escolha? Ou será que ela simplesmente ignora a existência de um ser que saiu de sua barriga? Será que talvez ela ache que seu ato foi uma ótima opção para a pequena Luísa? Será…? Será…? Será…?

Nos primeiros meses da chegada da Luísa me angustiava bastante saber que aquele minúsculo serzinho indefeso foi abandonado e ficou dias na maternidade sem receber amor de uma família. O prontuário médico descrevia um bebê inquieto que chorava muito (meu coração sangra de pensar… chorava clamando amor) bem diferente do bebê que chegava em minha casa.

Lembro da carinha dela dentro do carro a caminho de seu novo lar. Estava quieta, serena, com os olhos esbugalhados, um pouco assustados, mas ela sabia que estava indo para a segurança de um lar e de uma família. A conhecia há 4 dias e já sentia um amor imenso.

Mesmo nos primeiros dias em nossa casa era uma criança calma, quase nunca chorava, completamente distinto do que era descrito no prontuário da maternidade. Mamava e dormia bastante, um bebê muito tranquilo. Acordava uma única vez durante a madrugada para mamar. Aos 5 meses já dormia a noite toda.

Hoje não sofro mais quando lembro do que ela pode ter sofrido nos seus primeiros dias de vida, pois vejo como Luísa é uma criança feliz e segura. Minha menina pequenina (já tem bem mais de 1 ano e usa roupas para bebê de 9 meses), moreninha, cabelos cacheadinhos, meiga, carinhosa, tinhosa e decidida.

Como julgar a pessoa que a gerou? Não consigo. Acredito que tenha tido suas razões para ir embora da maternidade sem olhar pro que deixou pra trás. Um ato maldoso? Talvez não. Talvez tenha pensado no melhor pra Luísa. Ou não.

Rezo por essa criatura. Rezo pra que esteja em paz.
Talvez se um dia a encontrasse a abraçaria e falaria: OBRIGADA! Deus sabe o que faz.

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Comentários

  1. Emanuelle disse:

    Lindo texto. A Luísa estava predestinada a entrar nessa família. Ela preencheu um espaço no coração de vocês e vocês preencheram um espaço no coraçãozinho dela. Parabéns por terem tomado essa decisão tão linda de adotar uma criança. Admiro vocês.

  2. Fabrício Escandiuzzi disse:

    Obrigado Emanuelle… É ela quem faz bem a todos nós..

  3. Luciane disse:

    Me emocionei com todos os textos… Obrigada por compartilharem momentos e sentimentos tão especiais.

    1. Fabricio disse:

      Obrigado você Luciane, por acompanhar nossa história…

    2. Fabrício Escandiuzzi disse:

      Obrigado você por participar…. Grande beijo

  4. Fabiola disse:

    Está sendo uma delícia acompanhar a história desta família linda. Adoça meu dia e aquece minha alma. Textos lindos de emoção e transparência plena!

  5. Rejane disse:

    Seu amor por luisa é tão grande que não consegues ter sentimentos negativos com quem a gerou. Isso é bom, porque deve doer muito pensar no abandono, causas e consequencias… dói em mim só de pensar, imagino em vc qdo pensa na luisa.
    Parabéns pela família linda. Algumas crianças não tem a mesma sorte da Luisa. Ela sim tirou a sorte grande e foi parar na casa do amor.
    Muita saúde pra vcs e amor de sobra. A história é comovente. beijos

  6. Gisele Prado Escandiussi disse:

    Obrigada por participarem e acompanharem a história da nossa Luísa. Vez ou outra darei meus pitacos por aqui.

  7. oraida maria santos escandiussi disse:

    Lindo texto Gisele..Parabéns a vocês por tanto amor…Me dá uma alegria tão grande por vocês..Choro de emoção…é bom demais…bjos

    1. Fabrício Escandiuzzi disse:

      Beijoss… Obrigadooo